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Archive for Janeiro, 2008

Durante a anterior estadia consegui um número interessante: 26 dias consecutivos a cachar. Agora estou de volta, e decidido a ultrapassar este registo, mesmo ciente que a invernia está ai, e que a Europa Central, no que toca a estas coisas de clima, não é para brincadeiras.

Seja como for, já lá vão cinco. E hoje “cairam” duas caches. Inesperadamente o plano diário foi todo alterado. Uma súbita vontade de proceder a um reconhecimento prévio dois projectos que prometem muitas dores de cabeça arrancaram-me ao percurso cuidadosamente estudado: primeiro, uma cache que implica entrar no sistema de esgotos da cidade, percorrer 600 metros por catacumbas de aspecto atemorizador, com água pelos joelhos e sem luz para além da que transportar comigo; para o grand finale, está previsto o regresso ao mundo dos vivos através de uma daquelas tampas que vimos por qualquer cidade e que surgem frequentemente em filmes de acção… como este promete ser; segundo, algo aparentemente mais simples, mas que não deixa de estar marcado com quatro estrelinhas e meia de terreno, talvez porque implica uma escalada relativamente complicada em frente a uma multidão que passa numa das estradas mais movimentadas de Praga.

Assustado? Não… lá nos veremos. Mas para já falemos do que se fez hoje. MB#4-Albertov trouxe-me a um local mágico apesar de puramente urbano. Não lhe chamarei um bairro. É antes uma área. E nela se encontram universidades, residências de estudantes, um hospital, umas quantas igrejas. Bizarro, diferente. Entramos, sem nos apercebermos, por um acesso secundário. Aquelas ruas estão desertas, e os enormes edíficios, a fazer lembrar a nossa arquitectura Estado Novo, em toda a sua majestosidade rodeiam-nos. Depois, desembocamos numa via mais movimentada, e o ambiente torna-se mais normal. Sobretudo são estudantes que passam por ali. E ainda bem, porque não têm cara de quem se vá preocupar se desatarmos a subir a postes de trânsito… e nós cá sabemos bem para quê. Foi divertido. Modéstia à parte, uma lição de stealth Geocaching. Uma máquina fotográfica, uma atitude despreocupada e algumas palhaçadas e os actos mais comprometedores ganham uma naturalidade inofensiva que permite o resgate e a devolução do contentor.

A seguir vamos experimentar uma multi-cache com um enunciado algo complicado. IEEE 802.11. Implica contar umas letras e uns números, mas mais incomum, é necessário reconhecer as redes Wi-Fi que cobrem o ponto zero e retirar elementos de uma delas. Com muito receio, chegamos a um resultado final. A fé é pouca, porque as dúvidas na recolha dos dados e a morosidade dos cálculos elevam as probabilidades de estarmos na posse de coordenadas finais erradas. Mas não. Graças à dica, soubemos de imediato que não tinhamos falhado quando nos aproximámos do local. O único problema passou a ser o pau de putos que preparavam um charro a poucos metros do local prometido. Mas como os checos não são latinos, continuaram na sua tarefa sem nos fitar mais que um par de segundos, e cada um de nós levou a bom porto a sua barca. Esta cache valeu pela relativa originalidade – na realidade já tinha feito uma multi baseada em Wi-Fi bem mais interessante, a CZFree #1 – e por um passeio ilustrativo da “cultura” Panelack.  É este o nome dado aos enormes blocos de apartamentos de aspecto tristonho, literalmente cinzentões, que predominam em numerosas zonas da cidade. Foram construidos em série nas décadas dos anos 50 e 60 do século XX, traduzindo a ambição do sistema em anular a individidualidade dos cidadãos: prédios iguais, apartamentos semelhantes. Sem distinções, em nome de um regime totalitário e igualitário.

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