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Archive for Agosto, 2009

Prefácio: as técnicas descritas podem revestir-se de graus distintos de subjectividade, e, em última instância, serem desaconselhadas por alguns com perspectivas distintas. Trata-se portanto de uma colecção de conselhos de cunho pessoal e não dogmático. Ah! O título fala em cache física porque se refere a tesouros com um contentor, que têm uma existência real e palpável. Não é uma alusão à ciência química… digo… física.

Lição 1: As linhas condutoras. também conhecidas como guidelines, para os amigos. Justas ou injustas, se não forem respeitadas a cache não será publicada, kaput, finito, the end. É por isso o único passo verdadeiramente imprescindível. Ler aqui as guidelines.

Lição 2: O contentor. Altura de desfazer uns pseudo-dogmas que com o tempo se ajeitaram entre nós: que eu saiba nada é obrigatório na altura de criar a caixa e respectivos conteúdos. A stashnote (papelinho onde se explica o que é o Geocaching, caso a nossa criação venha a cair nas mãos do inimigo), as prendinhas, e, sobretudo, o saco de plástico. O que é preciso é um logbook. E mais nada. Tudo o mais vem por dedicação e amor, não por obrigatoriedade:

  • Pois que se coloque o livrinho para os logs dentro de um contentor, e que este seja uma obra prima de criatividade ou um tupperware da melhor qualidade. Caixas de metal são má ideia devido à facilidade com que a ferrugem as começa a roer.
  • Algo para o visitante escrever as suas impressões poderá dar jeito. Uma esferográfica, caneta, lápis… sendo que este último é mais resistente a tudo, e dimensionável segundo o tamanho do contentor,  recomendo-o. Já agora, seja lá o que for, não lhe fará grande diferença viver fora do saquito de protecção extra em que quase todos botamos o logbook… e assim se evitar que o bico do elemento de escrita rompa esse plástico.
  • Que se imprima a folhita a explicar o que é o Geocaching, de preferência em português e inglês, para que o achador casual da cache possa resitir à tentatação de a magoar.
  • Que se ponham lá para dentro uma colecção de prendinhas capazes de interessar à maioria das pesssoas, sem esquecer que algumas coisas são interditas à luz das linhas condutoras. Nada de camisinhas de Vénus, que as crianças podem ficar curiosas fora de tempo; nada de caramelos ou outras coisas para comer, que a bicharada vai concerteza danificar a cache para chegar até elas.
  • Até se podem deixar artigos de manutenção antecipada dentro da caixinha: lápis extra, sacos de plástico de reserva (vide ponto seguinte), um segundo logbook.
  • Se for conveniente, que se envolva tudo num saco de plástico. Não porque é costume, por favor. O saco de plástico é boa ideia se ajudar a camuflar a cache. Um saco de plástico cinzento para uma cache escondida entre rochas cinzentas é boa ideia. Eventualmente, apesar de algumas teorias em contrário, é capaz de ajudar a proteger da água da chuva. Mas nesse caso, será uma patetice colocar um saco a envolver uma cache deixada num buraco onde nunca chega água: nem precisa de camuflagem nem de protecção, e só se está a criar um naco de lixo que com o tempo se começará a desfazer e a espalhar por ali. Ah! Se o cenário aconselhar à colocação de um saco, nem pensar em dar nós! Para além de irritar toda a gente, pode entrar para a lista negra do MAN (Movimento Anti-Nós, liderado pelo mullah Portelada). E não queremos que lhe acontença… isto!

Lição 3: Selecção. Agora que a caixinha está pronta, há que a botar no ninho. Não vou aqui falar do local onde criar uma cache, que isso cada um sabe da sua vida. Mas uma vez que está decidido a partilhar com a comunidade um local que gosta, não há razão para que o ponto exacto do esconderijo não seja cuidadosamente pensado. Por exemplo, não existe nenhuma razão para a deixar em linha de vista directa para a entrada de uma esquadra de polícia (já encontrei três nessas condições), de uma vigia de incêndios ou da portaria onde se abriga um agente de segurança. Olhe bem em seu redor e imagine o local noutras circunstâncias. Se é Domingo, as coisas poderão ser diferentes aos dias de semana. Depois, considere o impacto ambiental que a invasão de geocachers terá no ponto. Há uns anos, quando tinhamos visitas nas nossas caches de tempos a tempos, não era preciso especiais preocupações neste aspecto. Actualmente, com as caches a poderem ter mais de uma dezenas de “founds” no primeiro dia, e centenas por mês, é preciso imaginar o que esses pares de pés todos poderão fazer a um canteiro, a um jardim… e o que esses pares de mãos todas poderão causar a um muro de pedra centenário. Sobretudo nas cidades, tente encontrar um local à prova de destruição. Mesmo duzentos geocachers totalmente educados e sensibilizados não poderão evitar de deixar marcas, no seu todo.

Lição 4: Informação. Até pode parecer que agora só falta preparar a página com toda a informação sobre a nossa cache. Reparou na palavra “toda”? Pois bem. Como sabemos não e obrigatório nem nada que se pareça, mas disponibilizar informação sobre o local onde está a cache ou o evento a que alude, seja ele uma igrejinha ou a marcação do local onde se deu uma batalha é coisa simpática. Mas para além do “background” é vital que não se esqueça de fornecer todos os dados essenciais à acção do geocacher. Se a área só está acessível dentro de um determinado horário, se uma maré bloqueia o acesso durante parte do dia, se ir de calções é sentença de morte para a patinhas… tudo isso importa, e muito ao geocacher, e tenho cá para mim que mantê-lo na ignorância até ao momento em que ele chega apenas para constatar que não poderá alcançar a cache é mau.

Lição 5: Universalidade. O ideal é que todos falássemos Esperanto. Mas o mundo não é ideal e a generalização linguística sempre foi vista como uma ameaça à soberania e ao poder dos Estados, bem secundados pelos seus cidadãos. Assim, ao longo dos tempos, o latim, o francês e o inglês, por esta ordem, foram constítuidos línguas francas na nossa civilização. Hoje, como se entendem os finlandeses, árabes e croatas, os russos, portugueses e coreanos, os chineses, peruanos e húngaros? Quando uns viajam até aos outros, esperarão que se fale na sua língua materna? Deverão aprender a língua? E quando aqueles recebem estes, é legítimo esperarem que tenham aprendido a sua língua? Não, não e não. As fronteiras demoram segundos a serem cruzadas, aprender uma língua leva anos. Mas comunicar é vital. Como é possível articular este problema? Aprendendo pelo menos a língua franca, que nos nossos tempos, goste-se ou não, é o inglês. E no Geocaching, é a mesma coisa. O jogo é universal, criado e baseado num país de língua inglesa, e com um website em inglês. Criar uma cache sem uma versão internacional, perceptível pela esmagadora maioria dos viajantes é mau. Raia o banditismo se a ausência for fruto de uma bacoca convicção nacionalista ou qualquer outra ainda mais rebuscada. É apenas inconveniente no caso de se dever a distração ou incapacidade linguística. Para resolver este último problema, não faltam voluntários para a ajudar na tradução, aproveite a boa vontade alheia. Porque, quanto mais não seja, um dia poderá ter a possibilidade de procurar cache num outro país e não vai gostar de ser tratado como tratou os outros. Ah! Tradutores automáticos, esqueça. Os resultados são simplesmente anedóticos.

Lição 6: Manutenção. Digam lá o que lhes parece mais correcto: quando se pensa em “criar um filho”, está-se a falar de uma noite em que nos deu o cio e lançámos a nossa semente em ventre fértil (ou vice-versa) deixando uma barriguita a crescer durante nove meses, ou de anos a fio a cuidar de um ente desprotegido que precisa da nossa atenção constante? É a segunda não é? Pois então com as caches é a mesma coisa. Criar implica cuidar. Não é só deixar para lá a caixa e ir à vida. É preciso assumir o compromisso. Aquela cache vai precisar do nosso cuidado paterno. Não se mudam as fraldas, mas muda-se o logbook. Não precisa de roupa nova à medida que cresce, mas precisa de containers novos à medida que os anteriores se vão partindo. De resto, tudo isto consta das linhas condutoras. Esperar que os outros tomem conta das nossas criações é tão injusto como contar com os vizinhos para cuidarem das nossas crianças.

Lição 7: Coordenadas. Parece evidente. E é. Ao criar uma cache tem de fazer todos os possíveis para publicar as coordenadas correctas. Mas de tão evidente que é, mesmo assim, às vezes as coisas sucedem de forma diferente. Recolher as coordenadas através de ferramentas como o Google Earth, NÃO! Os resultados podem ter variações de dezenas de metros em relação ao ponto real. Se usar um GPS como deve ser (para estes efeitos), não se limite a tirar as coordenadas. Faça-o várias vezes, anotando-as sempre. Aproxime-se várias vezes. Desligue o GPS e torne a ligar. Deixe-o a marinar em cima da cache durante uns minutos e depois tire a coordenada. Por fim, faça a média de todos os valores obtidos. A gente agradeçe.

Lição 8: Maluqueiras, não! Publicar uma cache antes dela estar no local ou botar as coordenadas sem as verificar, NÃO. Parece claro mas a experiência diz que nem toda a gente se lembra disso. Resultado: hordas de pessoal a ir à procura no sítio onde a cache ainda não vive, ou a trepar uma encosta cobertinha de silvas enquanto a caixa se abriga debaixo da aba de um moinho no monte oposto, a rir-se de tudo aquilo.

Lição 9: Adaptação. É preciso meter uma coisa na cabeça: por vezes aquilo que para nós parece evidente, não o é para a esmagadora maioria das pessoas. Isto, no contexto corrente, significa que talvez cometamos erros na criação da nossa cache, erros esses que só serão descobertos pela interacção real com o “mercado”. O que é necessário é saber reconhecer que onde há muito fumo é capaz de existir fogo, e se ao fim de 20 logs, 10 referem um problema, talvez o que neles é indicado seja merecedor da nossa atenção e correcção. Uma cache classificada com 2 estrelas de grau de dificuldade que tem tantos “not founds” como “founds” se calhar é na realidade mais díficil do que isso, e não custa nada reconhecer o erro e corrigir. Se quando fomos deixar uma cache não sucedeu nada de especial, mas se os geocachers repetem nos logs o aparecimento de cães ameaçadores na área, talvez devamos considerar mudá-la de local. É preciso adaptar o nosso fruto inicial ao feedback que vamos recebendo nos logs.

Lição 10: Dar tempo ao tempo. Se começou a practicar Geocaching há pouco tempo, é boa ideia ganhar algum calo nestas andanças antes de criar. Os benefícios da aprendizagem são parte do senso comum, e quanto mais caixinhas encontrar mais aprenderá sobre a arte de bem criar uma cache. Se não conseguir refrear o entusiasmo e partir logo para as suas próprias criações, as probabilidades de cometer erros de palmatória elevam-se. E não há nexexidade. Nem para si, nem para os outros. O Geocaching não vai a lado nenhum, estará aqui à sua espera passado uns meses, quando já tiver visto de tudo e aprendido por experiência própria como se cria, mal ou bem, uma cache.

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Passaram-se quatro dias. Noventa e seis horas, mais coisa menos coisa. E a dor continua. Naquele malfadado muro da cidade de Tavira quedou-se o meu fiel amigo de tantas cachadas. O heróico Magellan Explorist 500, que me acompanhou na descoberta de mais de duas mil caches e na frustração de umas quantas dezenas de DNF. Juntos, cruzámos doze países, voámos sobre as nuvens, percorremos milhares de quilómetros de carro. Lembro-me como se fosse hoje o momento em que lhe toquei pela primeira vez: foi em Praga, num apartamento alugado, em Outubro de 2006. O meu amigo Nelson, que voou dos EUA para se me juntar naquela cidade encantada trouxe-mo. Devo reconhecer que os primeiros meses de convivência não foram fáceis. Mas depois do período de adaptação soube que tinha ali um amigo para sempre… ou assim o pensava.

Prefiro não matutar o que está ele a fazer neste momento, onde se encontra pousado, em poder de quem… que tenha uma ainda longa vida, cheia de aventuras, antes de ser atraiçoado por um segmento da sua placa electrónica ou de se afundar num qualquer rio.

Estes últimos dias têm sido de intenso estudo, sob o qual procurei afogar o pesar. A vida terá que prosseguir, e assim dito, significa que um substituto deveria ser encontrado. Para já, tratei de encontrar não um, mas dois. Amanhã, se tudo correr conforme planeado, terei um irmão um pouco mais pobre deste Explorist 500. Será o modelo 400, cuja única diferença, assim de repente, reside no “screen” monocromático e na côr da unidade. De cinzento escuro passarei a verde, das cores passarei a um mundo a preto e branco. Mas a herança que me deixou o amigo perdido será ao menos aproveitada: carregador de isqueiro, base para o carro, base para a moto 4, estojo. Aqui, sei com o que conto, para o mal e para o bem.

Contudo, como me refugiei numa dinâmica frenética para esquecer a dor, não me fiquei por aqui. A caminho vem também o modelo mais recente da Garmin, e provavelmente do mundo do GPS: o Dakota 20. Uma espécie de Oregon mais pequeno, com um screen mais luminoso, mais leve, com maior autonomia energética. Em comparação com o topo da linha Oregon, o 550, fica a perder pela ausência de uma máquina fotográfica, por não lidar com o fenómeno WhereIGo e… pouco mais. Acrescentaria, assim de memória, a impossibilidade de definir imagens de fundo, o screen mais pequeno – também com vantagens inerentes – e a ausência de um visualizador de imagens.

Dakota 20

Dakota 20

Com o meu cunhado em viagem de trabalho nos EUA – bem, na realidade sendo piloto, uma viagem de trabalho é mais no percurso até lá, do que propriamente no país de destino – tive uma oportunidade imediata de comprar material a preço reduzido. Certo, perdi os mapas originais de Portugal que acompanham as unidades comercializadas por cá, assim como um procedimento simplificado em caso de problemas técnicos com o GPS. Nada de verdadeiramente problemático. E poupei umas centenas de Euros. Foi apesar de tudo um momento de tensão, quando ele me telefonou. “Olha, tenho aqui na mão um Oregon 400 e um Dakota 20. Custa isto e isto… queres ou não”. Só pedi dez minutos para reflexão, usados numa visita rápida para recapitular a materia num par de websites, depois, a esmagadora indecisão…. e… que se lixe, se me arrepender posso sempre tentar revender isto em Portugal.

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