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Archive for Setembro, 2009

O doce arquipélago mediterrânico de Malta está longe de apresentar condições ideais para a práctica do Geocaching: as acessibilidades internas são delicadas, com a utilização de viatura própria a ser dificultada pela condução pela esquerda e pelo mau estado da rede viária, e com um serviço de transportes públicos relativamente abrangente mas de periodicidade muito espaçada. A este cenário junta-se um calor que chega a ser atroz, e que se estende pelo Outono adentro.

Por outro lado, as ilhas têm um potencial sub-aproveitado. Existem cerca de 60 caches, quase todas tradicionais. Mas poderiam – e deveriam – ser muito mais. Desde o património histórico até à malha urbana, passando pelo espaço rural e a espectacular costa, Malta está repleta de locais que bem mereceriam umas caches, à luz dos valores vigentes em Portugal. Ironicamente, algumas das que foram criadas estão localizados em recantos de interesse bem duvidoso.

Não existe muita gente a criar caches em Malta. São 3 ou 4 nomes recorrentes, e de resto, quase todos são estrangeiros. A condição física dos contentores acaba por sofrer com isto. Encontrei vários bastante mal-tratados, que certamente não resistirão ao próximo inverno, sendo que em dois casos, a tampa não existia de todo.

Durante a minha estadia, encontrei cerca de 1/3 das caches existentes em Malta na altura. Sobretudo na costa norte, ironicamente a menos interessante, mais urbana. Com base nesta experiência, apontaria as mais marcantes experiências:

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Assumption Of Our Lady; uma pequena capela perdida no meio da paisagem rural maltesa, extremamente pictoresca. Ali ao lado um residente ofereceu-nos água fresca, apenas porque imaginou que podiamos ter sede.

Jensen’s Lookout; não era para ser procurada, mas passávamos no autocarro ali mesmo perto, no fim de um cansativo dia. E no vai-não-vai, acabámos por correr para a saída. Em boa hora! Toda a área envolvente é adorável, natural, transpirando a verdadeira alma maltesa. No páteo da igreja a rapaziada disputava dois desafios de futebol em simultâneo. As vistas são excelentes, e perto da cache existe uma pequena esplanada altamente recomendada.

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Enter The Dragon; uma multi-cache descomplicada numa das zonas mais turísticas de Malta, mas mesmo assim muito recomendável. Encontrei-a num dia de temporal no mar, o que lhe conferiu uma magia especial. A segunda parte da cache desenrola-se numa marina de luxo, aberta ao público mas tão disfarçada que os turistas não a encontram. Um espectáculo.

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Selmun Palace; um edificio palaciano, numa área remota. Da paragem de autocarro até lá serão cerca de 900 m, nos quais podem ser vistas algumas casas genuinas. O palácio não pode ser visitado, mas a vista exterior vale a pena por si.

St Paul’s View; da cache anterior vai-se a pé até esta, encontrando-se pelo caminho antigas instalações militares que podem ser exploradas livremente. De resto, trata-se de um excelente percurso pedestre.

As duas coisas mais alucinadas que me sucederam a fazer Geocaching em Malta:

  • Aproximar-me de uma cache, escondida numa densa rede de trepadeiras e arbustos junto a uma estradinha sem movimento, e ver pintado no chão em tinta cor-de-laranja: GEOCACHE. Pronto. Isto é que é um spoiler in loco.
  • Uma cache escondida dentro de um pub. Impossível de encontrar sem perguntar ao barman. E foi ali mesmo que me esqueci do meu GPS. Já a caminho do aeroporto decidi ir tentar esta, depois de já ter a informação que seria necessário entrar e perguntar pela cache. O Dakota novinho em folha ficou lá e eu vim embora. Só dei por isso no autocarro a caminho do aeroporto. Felizmente (até ver) o pessoal é honesto. Chegado ao aeroporto, entrei no free wi-fi, detectei o nome do pub e saquei o telefone. Liguei e o barman foi à procura e encontrou ou meu GPS. Agora aguardo que um amigo meu maltês vá lá buscá-lo e mo envie por correio.

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Garmin Dakota 20

Dakota 20

Dakota 20

Aspectos Físicos

Trata-se de uma unidade bastante pequena, quase cabendo no interior de uma mão fechada (e com certos meninos há-de caber mesmo). Para muitos, isto é uma vantagem. Eu até preferiria que fosse um pouco maior, e não apenas para ter uma área de screen superior…. é pequeno demais, pronto. Perde-se mais facilmente, não se agarra tão bem. Aparentemente, segundo as especificações oficiais e alguns “testers” mais corajosos, é completamente à prova de água, mas mesmo assim não convém deixá-la cair borda fora, porque flutuável não é. Tem um aspecto resistente. Resta apurar se o é, e, também neste caso, peço desde já desculpa aos leitores: não sou eu que irei arremessá-lo contra as paredes, ou mesmo largá-lo da minha mísera altura. Terei que limitar as apreciações ao aspecto. Como disse, resistente. E compacto.

Esteticamente, e nisto as coisas são altamente subjectivas, gosto. O tom tristonho do chassis cinzento escuro ganha um pouco de alegria pelos “fios” laranja escuro que marcam a “frame”. Tem um aspecto sóbrio mas a côr restitui-lhe o balanço estético.

A entrada para a ligação mini-USB encontra-se atrás, devidamente protegida por uma pala de borracha que se abre e fecha sem qualquer esforço, não se antevendo danos causados por uso continuado. Se isso vier a acontecer, dá para perceber que a peça se encontra fixa por dois parafusos, e provavelmente pode ser adquirida em avulso.

Logo abaixo, a tampa que dá acesso à cavidade das pilhas. Também ela se retira e coloca com extrema facilidade. Por baixo, o slot para o cartão micro SD (até 8 Gb). Incluido na embalagem está um fio para se levar a unidade ao pescoço, ou presa a algo… no meu caso, adicionei-lhe um mosquestão, adicionando funcionalidade extra.

Screen

Primeira página do menu... personalizada para GC

Primeira página do menu... personalizada para GC

Antes de comprar esta unidade estava bastante preocupado com a legibilidade do screen no exterior. A realidade revelou-se bastante acima das expectativas. Em utilização comum, apenas ao observar o mapa numa escala menor senti algumas dificuldades. Claro que andando na rua, o screen não apresenta o aspecto belissimo que pode ser visto nas imagens capturadas. Mas em termos funcionais, pouco ou nada perde. Mas estou convencido que o relacionamento entre o utilizador e o screen será sempre influenciado por experiências anteriores. Quem nunca usou PDA’s ou outros dispositivos de ecrã táctil, é capaz de ficar negativamente impressionado.

Ocupando quase totalmente a área frontal da unidade, o screen não será tão amplo como os da linha Oregon, mas mesmo assim é bastante aceitável, especialmente comparando com os eTrex.

O brilho de fundo pode ser intensificado ou reduzido, através de um toque ligeiro no botão de ligar o GPS, que o levará a um menu de controle do brilho (onde também poderá activar a função de ecrã bloqueado).

A interacção táctil é positiva. Apenas o scroll de páginas de caches levanta certas dificuldades. Quer a descrição quer o registo de logs podem ser extensos, e não existe uma barra de scroll… tem mesmo que se ir passando lentamente com o dedo.

Comportamento em Campo

Sendo a minha terceira unidade GPSr, não notei diferenças de vulto na sua eficácia; aparentemente, ou por estar em dias menos bons quando fiz testes comparativos, perde um pouco em precisão para o Magellan eXplorist 400 que tenho agora como uniade de backup. Mas uma coisa mínima. Se em cima da cache o eXplorist dá zero metros, o Dakota dá 2 metros.

A rapidez de aquisição de sinal é muito boa. Na maioria dos casos, quando o GPS emerge da rotina de arranque, já tem sinal activo. De resto, o bom relacionamento da unidade com os satélites nota-se até dentro de casa, onde geralmente é adquirido sinal, mesmo que exista apenas uma janela na sala.  Menos agradável tem sido a perfomante da bússula de três eixos. Se calhar era eu que tinha demasiado expectativas. Já me via a saber para que lado estava a cache mesmo antes de arrancar com o carro. Mas não. Para além da necessidade constante de calibração, eu não confiaria na indicação desta bússola para nada. Em termos prácticos, resolvi colocar-lhe o rótulo de inútil, e deixar de a usar.

Geocaching

O Geocacher deverá começar por preparar um ficheiro GPX. Pode ser um Pocket Query puro ou um ficheiro exportado, por exemplo, do GSAK. Depois, é colocá-lo no folder adequado, onde pode conviver com outros do mesmo tipo e já está: ao ligar o GPS as caches constantes desse ficheiro (juntamente com as dos outros que estão no mesmo folder) aparecerão na lista de caches mostrada na unidade. Se não estiver para estar a gerar ficheiros GPX, note-se que pode simplesmente usar o website do Geocaching para enviar caches directamente para o Dakota.

Uma vez no campo, pode aceder à lista, que aparecerá ordenada por proximidade, mas com toda a facilidade pode pesquisar introduzindo o nome ou parte do nome de quaqluer cache. Escolhendo uma, esta será mostrada no mapa, e se for aquela mesmo que quer procurar, deverá clickar no botão Go. Para usar a bússula, terá que fechar esse screen e voltar ao menu, escolhendo ai a ferramenta bússula (ou qualquer outra que desejar). A qualquer momento poderá consultar a descrição da cache, assim como a hint ou os longs anteriores. Para isso, é regressar ao menu principal e carregar na opção Geocaches, onde terá esses elementos à escolha. Além disso, poderá marcar a cache como encontrada, DNF, necessitando de manutenção ou “unattempted”.  Marcar o status das caches na altura poderá dar um jeitão quando chegar a casa, mais tarde. É que os “fields notes” são uma maravilha. Ligando o GPS ao computador e entrando no Geocaching.com, poderá então fazer o upload dos dados, acedendo a uma página onde a sua actividade diária está desde logo alinhada. Acabaram-se os esquecimentos de logs!

Além disso, se estiver a usar o “dashboard” do perfil Geocaching, a qualquer altura pode visualizar o número de caches encontradas nesse dia (a bem dizer, desde a última vez que fez reset aos dados).

Tão a ver... ele indica: o Torgut encontrou 4 hoje !

Tão a ver... ele indica: o Torgut encontrou 4 hoje !

Descrição de uma cache, início

Descrição de uma cache, início. Para baixo, o texto.

Extras

Para além das habituais ferramentas (bússula, mapas, planeador de rotas, marcação de waypoints, dados da viagem, track manager, etc) o Dakota oferece uns extrazinhos, demasiadas vezes inúteis. Aqui estão, com uma ordenação subjectiva, do mais relevante para o mais supérfluo:

  1. Waypoint averaging, que dá um jeitaço aos Geocachers na altura de colocar uma caixinha. Já testei, e com grande sucesso. Logo de seguida simulei a procura da cache com um Magellan e fui dar com ela tendo indicação de zero metros para o ponto.
  2. Calculadora, sempre preciosa para ir a multi-caches e algumas caches mistério.
  3. Sol e Lua, horas a que se põem e se levantam. Pode dar jeito para alguma planificação, mas nunca senti necessidade.
  4. Gráfico de altitude, que mostra a evolução do nosso percurso consoante a altitude.
  5. Cronómetro. Bastante completo mas… quantas vezes o usaremos?
  6. Despertador. Humm se não tivermos um telemóvel com despertador (alguém não tem?) não é mau. Barulhento quanto baste e funciona mesmo que tenhamos desligado a unidade.
  7. Man overboard. Marca um ponto e automaticamente coloca-nos em rota de retorno.
  8. Cálculo de área. Como o nome indica, permite-nos calcular a área no interior do perímetr que acabámos de plamilhar. Será útil para alguns, completamente desnecessário para a maioria. E daqui para a frente entramos no campo das funções totalmente inúteis.
  9. Hund and Fish; Nunca percebi a sua utilidade real, mesmo para caçadores e pescadores.
  10. Calendário. Pura e simplesmente isso, como se fosse um calendário de papel, daqueles que se usavam há muitos anos.
  11. Sight’NGo: ainda não consegui perceber o que é isto e para que serve.
  12. Share Wirelessly: mais um sinal de que os engenheiros da Garmin perdem demasiado tempo a desenvolver inutilidades, tempo esse que podia ser bastante melhor empregue. De facto, é já a seguir, que vou encontrar ali na rua outro Geocacher, que, coincidência, tem um GPS desta gama, a que, coincidência, me convém mesmo passar um waypoint. Tende juizo!
Ora quantas janelas eram... ?

Ora quantas janelas eram... ?

Notas Diversas

Coisas que me ocorrem, assim de repente. Quase toda advêm da inevitavel comparação com a unidade que usava anteriormente. Umas más, outras boas. E ainda algumas que são simples considerações:

  • A unidade funciona com pilhas, que é coisas que eu detesto, aparentemente ao contrário da voz corrente. A verdade é que após cinco anos de Geocaching, todas as vezes que fiquei apeado por falta de energia na unidade, foi com aparelhos a pilhas. Fosse porque elas se descarregaram a uma velocidade inesperada, porque as qe tinha trazido para repôr estavam afinal sem carga, ou porque as perdi, ou porque contava comprar e me esqueci ou não encontrei à venda… ou porque fui de fim-de-semana e o carregador ficou em casa, ou ficaram todas as pilhas recarregáveis esquecidas… em suma, DIABOS CARREGUEM A PORRA DAS PILHAS! Tendo que viver com elas, posso dizer que umas boas pilhas alcalinas duram cerca de 15 horas. Não tive oportunidade de realizar testes com outro tipo de pilhas, mas parece que é importante dizer ao GPS (não é falando tolinhos, existe mesmo um local para isso no sistema de menus) que tipo de pilhas se está a usar.
  • Acho adorável o GPS manter em memória a cache para onde queremos ir, mesmo depois de ter sido desligado. Para os utilizadores de Garmin, isto será um facto adquirido e estarão a estranhar o entusiasmo. Mas o eXplorist, fruto de um “golpe de génio” dos seus engenheiros, esquece a informação de cada vez que se desliga… ah… mas não se estiver em routing de estrada, o que salienta que a falha é um bug que resistiu a anos e anos de bug fixs.
  • O conceito de “Perfis”, não sendo uma novidade em máquinas Garmin, é-o para mim. E coisa muito conveniente o é. Podem-se escolher opções, comportamentos, côres para os perfis pré-definidos, e criar perfis adicionais.
  • Horrível, mas já sabido, é a impossibilidade de gerir os dados (tracks, waypoints, geocaches) em ficheiros e folders separados, abrindo-se estes e fechando-se segundo as conveniências. Estava mal habituado, porque esta é uma das (poucas) maravilhas da linha eXplorist. Pois não tem lógica que se mantenha as caches do Minho separadas das do Algarve,  a lista dos nossos restaurantes favoritos em redor de casa, dos pontos a visitar durante a viagem que se avizinha a Malta, ou dos locais que se achou lindissimos na visita ao Egipto o ano passado? Para a Garmin é tudo coisa para o mesmo saco, mas eu digo NÃO! É uma porcaria, assim.
  • Fiquei entusiasmado quando vi a funcionalidade de “route planning”. Pensava que isso podia eliminar a última necessidade de papel e caneta, a de escrevinhar o alinhamento de caches a visitar num dia. Mas afinal não. Há uma coisa que deita isso a perder: é que chegado a um dos pontos da lista, o GPS passa automaticamente para o próximo, o que para o Geocacher não interessa para nada, porque uma coisa é chegar à área e outra é encontrar a caixinha.
  • A função de captura de écrã dá jeito, mas porque diabo é que os ficheiros são .bmp em vez do comum, mais do que standard .jpg?

Em Suma

Não há muito mais a acrescentar a tudo o que foi escrito. Sinto que preciso de mais rodagem para formar uma opinião sólida sobre a unidade, mas para já estou satisfeito. Talvez porque os aspectos negativos estavam já previstos e fui encontrar várias surpresas agradáveis. Diz-se que uma das vantagens dos Dakota é serem fruto de um processo de apuramento da mais antiga linha Oregon. E é bem capaz de ser verdade. Na realidade, não há muitas diferenças entre uns e outros, exlcuindo o 550, topo dos Oregon, também ele lançado recentemente e usufruindo deste processo de corecções. O meu GPS veio dos EUA. Custou cerca de 250 Eur. Há quem diga que está caro para o que oferece. Eu não concordo. Mesmo assim, se fosse hoje, provavelmente teria ido para o Dakota 10. A bússula de três eixos revelou-se uma decepção, e o espaço de memória interna parece ser suficiente para uma utilização regular.

Alguma dúvida adicional, deixem “Comment”.

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