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Archive for Novembro, 2009

Bons Containers

Um dia de sol, bem raro nesta parte do mundo. Logo, um apelo irrecusável para sair e passar o máximo de tempo fora das quatro paredes. Geocaching. Uma parte da cidade ainda por “trabalhar”: Hostivar, um conjunto de bairros tipicamente de subúrbio, uma espécie de Olivais de Praga. Pelo caminho, entrar e sair do eléctrico para limpar umas quantas rebeldes que tinham sido deixadas para trás. Por lá, é caminhar num meio urbano tristonho, de uma cidade que foi em tempos risonho e hoje está decadente. A cada prédio, a cada espaço verde, fica a sensação dos fantasmas de outros tempos. Das pessoas que foram aqui felizes e já não o são. Das esperanças e expectativas construidas, feitas em pó no correr dos anos, que se foram acumulando, maltratando corpos e destruindo ilusões. Hoje as lajes daqueles relvados estão cobertas com as folhas que vão caindo das árvores plantadas. Antes seria diferente concerteza, com as correrias da miudagem, rebentos da geração que primeiro abordou estas partes.

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E assim, uma após outra, as caches na linha de fogo foram caindo. Até à penúltima, dois containers notáveis, mas nada de verdadeiramente interessante, feitas as contas. Mas para o fim estava guardado o melhor bocado. Depois da tarde passada entre mongos urbanos, é com gosto que me aproximo de um pequeno bosque. Mas quando chego à orla e vejo o trilho que se interna entre as árvores, em direcção à cache, começo a ficar verdadeiramente fascinado. O Outono é sempre bonito nestas paragens, mas aquele pedaço específico é do melhor que tenho visto. As cores são indescritiveis, e a falta da câmara fotográfica é um erro imperdoável. Pondero regressar, munido do aparelho. Não importa que o local seja o fim do final de Praga. É belo para além de qualquer adjectivo. A luz entra em mil diagonais, filtrada pela folhagem resistente, já castanho dourado, mas ainda pendente, agarrada a uma última réstea à vida que já foi, sem saber ainda que logo estarão também no solo, ombro a ombro com as companheiras de um Verão glorioso. O tapete estaladiço que cobre o caminho é um espelho do céu possível, o que é formado pelas ramagens sobre as nossas cabeças.

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Chego a um primeiro cruzamento onde o trilho se multiplica, mas a direcção a seguir é evidente. A paisagem diversifica-se, torna-se verde por um momento, é um pequeno prado que se atravessa antes de mais um mergulho na densa floresta deixada intacta pelo monstro da edificação, um fenómeno tão presente nesta grande urbe que é a capital dos Checos. E nisto estou lá, junto à cache. A “hint” dita: “debaixo da pedra”. E vejo-a, a magna laje, ali mesmo. Mas… não… “wrong one”. Esta é a laje sepulcral de um qualquer animal de estimação, certamente um cãozito que por estes caminhos costumava passear com o seu dono, e encontrou aqui a sua derradeira residência. Está lá tudo… a laje encabeçada por uma cruz com uma coroa de azevinho e uma incrição… mas… esperem… o nome do animal é GC1HFH6. Acreditam que nem em checo um animal se pode chamar GC1HFH6? Pois é! É a cache. Acabaram-se as palavras, é  o melhor container que já vi… ficam as imagens.

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