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Archive for Novembro, 2010

Como sabem os que acompanham os meus escritos, o mês de Outubro, esse, passei-o a cruzar a Bulgária e a Roménia de GPS em punho. As andanças “geocachianas” dessa jornada foram narradas num outro artigo… o que aqui venho hoje mostrar é mais sobre a primeira cache que criei fora de Portugal. Foi na aldeia de Ivan Vazovo, Bulgária. Nesse pequena comunidade detive-me durante quatro dias, hospedado por aquele que hoje é um amigo, e que aliciei para a prática de Geocaching. Na realidade, a bem dizer, dá-me a impressão que aquilo foi mais fogo de vista, e que o caro Nasko não voltará a pegar num GPS para encontrar caches, mas pelo menos serviu-me de cobertura para a criação desta cache, junto ao forno comunal da aldeia, onde o povo se reúne nos dias especiais para assar carne e pão.

O Geocaching na Bulgária não é tão popular como no nosso país, mas mesmo assim desde meados de Outubro já tive(mos) quatro visitas nessa cache. E foi a divulgação de um video de uma dessas visitas que me trouxe hoje aqui, ao blog, para deixar o seu registo.

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Sábado, 6 de Novembro de 2010. Os astros estavam perfeitamente alinhados, deixando desde logo antever um excelente dia para a prática de Geocaching. Senão, vejamos: o céu azul conjugado com uma temperatura na ordem dos vinte graus prometia o clima ideal; um conjunto de sete caches para serem encontradas numa linha imaginária que se estendia entre Olhão e Tavira prometia um número bem balançado de “achamentos”, com tempo para deslocações despreocupadas, para apreciar os locais nas calmas, para posteriormente escrever “logs” descritivos e até, imagine-se, para colocar algumas fotografias da expedição. Além disso, no pacote, estava incluído um passeio de barco pela ria Formosa, necessário para duas das caches no alinhamento.

Optámos por começar pelo ponto mais afastado, um pouco para além de Tavira: Vale Caranguejo (Tavira). Dizer o quê… não quero magoar os sentimentos de ninguém, mas recuso-me a abdicar do direito à indignação com a quebra de critérios para a criação de uma cache. Esta, está colocada numa área residencial. Sem mais. E bem acompanhada de uma série de logs clássicos, cheios de floreados e de nada, com a falta de honestidade de uma sociedade onde as aparências se tornaram rainhas. Mesmo assim, não foi caso para me estragar o bom humor para o dia. Quatro-Águas foi a paragem seguinte, e se a primeira visita tinha sido decepcionante, esta foi uma agradável surpresa. Pelo menos de forma parcial. Isto porque sabia desde logo que Quatro Águas era um local merecedor de uma cache, a prova viva de que ainda existem pontos virgens à espera do seu contentor. É aqui que se apanha o barco para a ilha de Tavira, e no passado foi parte da minha vida. Faz agora 12 ou 13 anos que passei uns belos dias ali acampado, partilhando da atmosfera única que se vive na “ilha” nas noites quentes de Verão. Será talvez a sensação de isolamento que cria um ambiente especial, onde as pessoas se sentem parte de uma comunidade especial: os que lá estão. Portanto, depois de um engano induzido pelo TomTom, que me levou para a outra margem, chegámos à área. Estranhei o elevado número de carros ali parqueado, porque não esperava que nesta altura do ano existisse serviço de barco, mas a verdade é que este estava activo, e certamente que do lado de lá, na ilha, muita gente passava momentos agradáveis. Perto da cache, uma esplanada sobranceira oferecia aos seus ocupantes um momento único. Um casal bebericava as suas cervejas com gosto e por um segundo invejei-os. Apetecia-me ficar por ali, mas não podia mesmo, tinha um encontro marcado em Olhão. Assim, fui-me à cache. Encontrada de imediato no ponto exacto indicado pelo GPSr, criada com muita imaginação, não para tramar o Geocacher que a procure, mas para garantir que está ao abrigo do achamento casual por parte da “mugglaria”. Como deve ser.

Deixando Tavira para trás, chegámos à próxima cache do plano, ARROIO’s Park. Bem, eu não criaria aqui uma cache. Diz que é um parque de merendas. Talvez seja, mesmo que tenha dificuldade em compreender quem ali vá fazer um piquenique. Os locais certamente encontrarão 1001 pontos mais aliciantes, e os viajantes que poderiam precisar de parar nesta espécie de área de descanso da E125 dificilmente se aperceberão da sua existência. Mas se o sítio foi quase tão decepcionante como o primeiro do dia, o contentor valeu a visita.

Antes do prato forte do dia, uma paragem no Auditório Municipal de Olhão. Já tinha aqui vindo encontrar uma, creio que no ano passado, cache essa que obviamente terá sido arquivada. O que me fez pensar sobre estas coisas: a precariedade com que demasiados indivíduos entram no Geocaching, largam umas quantas caches, aborrecem-se, abandonam-as ou arquivam-as… num ciclo que começa a aborrecer. Há locais onde já fui três vezes para encontrar contentores mais ou menos no mesmo sítio. E, compreendendo que nada me obriga a lá ir, não posso deixar de ter um pensamento negativo para esta situação. Quanto à caixinha em questão, bem escondida, deu bastante trabalho, mas acabou por ser apanhada, apesar de alguma actividade “muggle”, com alguns deles demasiado interessados no que ali se passava.

Estávamos agora algo adiantados para o encontro no porto de Olhão. Deu tempo para comer uma sandes mista, bem aviada, e para beber uma lata de Coca-Cola, fresquinha como se exige, na esplanada do Clube Náutico, com vista para as embarcações ali baseadas. E então, com calma, fomos até ao nosso barco, esperar pelos meus “sogros”. Chegados estes, levou ainda um bom tempo até que a embarcação pudesse navegar… marinheiros principiantes, a precisar de rodagem. Mas a espera valeu bem a pena. A água da ria estava como o dia: serena, ideal para o passeio… e com a maré bem cheia ganhavam uma grandiosidade adicional. Chegar ao ponto zero da Passeio pela Ria Formosa foi das coisas mais fáceis da minha vida de Geocacher. Afinal, foi a concretização de um velho sonho, o de poder percorrer as distâncias em linha recta, como os pássaros… só que à superfície da água. Chegados ao local ainda foi preciso olhar e tornar a olhar até detectar a caixinha, e acabou por ser o “sogro”, que já antes tinha dado provas de uma vocação reprimida, a avistá-la. Divertido.

Finalmente, o desembarque, ao melhor estilo “fuzileiros navais”. A Ilha Perdida era o objectivo. E a pouco mais de cem metros do ponto de acostagem, foi “canja”. Caminhar pelas dunas até ela, e avistá-la de imediato. A ausência de instrumento de escrita ainda obrigou a uns passos adicionais até ao barco. O que não chateou nada, considerando a beleza do local neste maravilhoso final de tarde. Estava o log a ser terminado quanndo uma embarcação se detém mesmo ao lado da nossa e despeja uma pequena multidão de turistas. Foi a caixa reposta à pressa, com alguma preocupação com os “muggles”. mas sem necessidade. Estes estavam concentrados na sua caminhada perpendicular em direcção ao mar. E com isto, sem querer, assinei dois FTF’s, que gostaria de ter deixado para os maluquinhos da coisa, apesar de no Algarve a demência de outras paragens não ter ainda chegado.

E assim terminou uma magnífica jornada de “Geocaching”, um pouco encurtada pelo final abrupto do dia que se adivinhava com o sol já baixo. Porque estava prevista uma visita  a Longe de tudo ou talvez não que acabou por não se verificar.

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