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Archive for Dezembro, 2010

Hoje meti mais dois no saco, e enquanto andava, entre uma e outra cache, sem nada melhor para me ocupar os pensamentos, pus-me a matutar. Aparentemente sou o Geocacher português com mais DNF’s. O que convém não confundir com Geocacher com mais DNF’s em Portugal, porque são coisas diferentes. E porquê esta honraria, a única entre todas as estatísticas, rankings e tops que me conseguem ocorrer? Vamos lá ver o que deve o aspirante ao meu trono fazer para ter algumas hipóteses:

1) A primeira é tão evidente que hesitei na sua menção. Claro que para ter muitos DNF’s é necessário registá-los quando sucedem. E nesse departamento conto com algum desperdício, porque nos primórdios baldei-me a alguns, antes de alinhavar os meus fundamentos deontológicos.

2) Reconheço que nunca o fiz, mas estou certo que se pegar em vários dicionários de Inglês-Português nem um contradirá a convicção que tenho de que “Found it” significa “encontrei”. Isto, mesmo simplificado, sem o preliminar “I”.  Ora por “encontrar” entendo o fenómeno que se dá quando os meus olhos ou outra parte do meu corpo encontra a cache, abrigada no seu esconderijo, excluindo, por outro lado, como considerável no âmbito de “encontrar” quando recebo a cache das mãos de um companheiro geocacher.  Isto não significa que o fundamentalismo chegue ao ponto de recusar fazer um “found it” nessas circunstâncias, apesar de estar ciente da perniciosidade do acto. Contudo, significa que para minimizar o peso de consciência e me permitir encontrar de facto as caches que quero reclamar para o meu curriculum, tenho que “cachar” sozinho. Ora “cachar” sozinho quer dizer que as dificuldades em encontrar algo aumentam. Se aumentam, assim sucede com as probabilidades de não encontrar. E ai vai o segundo factor.

3) Uma das razões mais fortes para o meu invejável score é que eu faço Geocaching apenas com um GPSr enquanto os meus potenciais rivais usam o telefone para terem acesso ao logbook das caches que não encontram, transformando um DNF, daqueles normais e rotundos, daqueles que se amontoam na minha contabilidade, num “found it”.

4) Porque consigo imaginar mil formas mais interessantes do que usar 30 minutos da minha vida do que estar de rabo para o ar a revirar pedras em busca de uma cache amandada à toa lá para o o meio, ou de volta de um banco de jardim procurando um container XPTO, daqueles criados com a intenção de dificultar a vida ao geocacher e mais nada, é pouco provável que demore mais de 10 minutos a procurar a mesma cache. Ora as coisas são mesmo assim: muitas vezes 10 minutos não são suficientes para um “found”, e quando assim é, chega o tal DNF é o quarto factor.

5) Quando a fartura é muita, o desperdício começa. Isto, em Geocaching, significa que pode ser complicado levar a sério uma procura quando se sabe que falta uma hora para o cair da noite e ainda há pelo menos vinte caches num raio de três quilómetros. Por outro lado, quando já se procuraram 50 ou 60 nesse dia, o discernimento e a paciência decaiem e assim que se chega ao ponto zero já se está a pensar que a coisa está a dar muito trabalho e está na hora de se passar à próxima. O excesso de caches é portanto o quinto factor.

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