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Archive for Março, 2011

A Dica

Ao visitar o fórum da Geocaching@Pt deparei-me com um tópico (“O Papel da Hint”) que inspirou este meu texto. Na realidade há já muito tempo que penso sobre o que é que alguns cromos andam a fazer das “hints” das suas caches, e hoje não será tarde nem cedo para articular esses pensamentos. Vamos partir do presseposto de que é consensual que “hint” significa “dica”, e que uma “dica” é um pedaço de informação com valor utilitário na prossecução de algo, no nosso caso, da descoberta de uma cache. Poderia abrir um dicionário e transpôr para aqui uma definição toda janota, mas creio que não é necessário porque até aqui todos estaremos de acordo.

Não vou também demorar-me com problemáticas que considero vãs, como “deverá a dica ser lida antes, durante ou depois da caçada”. Cada qual fará como lhe aprouver. A dica está lá, acessível a todos os que a queiram ler, faz parte integrante do conceito, portanto não é mais nem menos do que  uma ferramenta à disposição do geocacher. Tal como o Google Earth ou a Wikipedia. Quem quiser usar, usa, no momento em que achar melhor.

O que eu quero abordar, na talvez utópica esperança de fazer reflectir quem agora ou no futuro se iniciar nas lides deste jogo, é uma questão de conteúdos. O que deverá, ou, melhor ainda, o que não deverá, ser uma dica. Ao longo dos anos tenho observado uma série de distorções do conceito, reconhecendo quatro categorias que costumam mexer com os meus nervos:

  • as que contêm um nico de texto ainda mais enigmático do que a localização da cache, duplicando assim o stress e a preocupação do geocacher, que a partir do momento em que a lê não só tem que resolver o problema do esconderijo desconhecido do contentor como tem agora a adicional preocupação em deslindar a “dica”;
  • as que descrevem algo tão pequeno ou escondido que quando se encontrar aquilo que está descrito na hint, então é porque já se encontrou a cache;
  • as que têm um texto que de dica não tem nada, como por exemplo “ver spoiler” ou “não esquecer de consultar o horário de abertura”;
  • As redundantes, que num mar de pedras dizem “debaixo de pedras” ou num terreno cheio de arbustos dizem “no arbusto”.

Cada cabeçudo terá o seu finca pé, e quem cria dicas assim, certamente não se convencerá facilmente a corrigir a sua linha “editorial”. Mas quem se prepara para criar as suas primeiras caches poderá reflectir… uma dica serve para ajudar, e apenas isso. Convém que ajude. E já agora, não custa nada incluir uma versão em inglês do que quer que se escreva. Este jogo é global e nunca sabemos quando um geocacher estrangeiro pode procurar uma nossa cache. Só depois de se viajar para países de mentalidade tacanha – como a Alemanha – é que se percebe a falta que faz uma dica que possamos compreender, especialmente em cenário urbano e com caches de dificuldade mais complicada.

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