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Archive for Setembro, 2011

Lista de Pedidos ao Pai Natal para um Garmin Dakota melhor

  • Que os favoritos e as caches e tudo o mais passem a funcionar como ficheiros estruturados numa hierarquia de pastas, tal e qual como sucede num sistema operativo e como era no Magellan Explorist. Pode-se assim abrir e fechar ficheiros, gerindo o que se necessita a cada momento e evitando o caos do tipo “tudo ao molho” causado pelo actual sistema.
  • Que se possam gerir as Geocaches da mesma forma como se faz com os Waymarks. Ou pelo menos permitindo apagá-las.
  • Seria óptimo poder manter mais do que um grupo de estatísticas dentro de um mesmo profile. Por exemplo, gosto de ver estatísticas referentes às minhas caminhadas, mas em dias em que me desloco a pé e de carro isso torna-se impossível.
  • Não custava mesmo nada permitir “gravar” as estatísticas, até para arquivo e posterior consulta.
  • Que a lista de caches encontradas se possa ordenar como quisermos, ou, se não puder mesmo ser, que seja ordenada por ordem de achamento e não por distância ao ponto actual, o que é quase absurdo. E digo “quase” porque pelos vistos há alguém na Garmin que vê alguma lógica nisto.
  • Que existissem garantias de que o paperless Geocaching nunca deixava uma pessoa apeada. Há poucas coisas mais frustrantes do que chegar ao local de uma Earthcache um Multicache e descobrir que as questões a responder não aparecem no GPS porque existe demasiado texto.
  • Que existissem garantias que nenhuma cache crashava o GPS ao carregar a descrição, como actualmente sucede com algumas situações.
  • Que não fosse preciso desatar a correr para que a lista de Geocaches mais próxima nos mostrasse a setinha a apontar a direcção de cada uma delas.
  • Que o limite (artificial, imposto por decisão “política”) de Geocaches fosse elevado
  • Que os materiais usados fosse de melhor qualidade de forma a não ter um Dakota com a cobertura em borracha toda pelada ao fim de menos de dois anos de utilização.
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Vistas da primeira cache encontrada

Corria a Primavera de 2004, que já deixava adivinhar um Verão quente e seco. Há apenas dois anos tinha-me mudado para a casa na franja da serra do Caldeirão, junto à qual criei posteriormente a cache Cerro do Botelho. Um dos meus vizinhos – e nestes ambientes, um vizinho pode estar a 700 metros de distância como era o caso – tinha-me mostrado um dos seus “gadgets”, um GPS de mão Garmin eTrex Legend. Fiquei fascinado com as possibilidades. E como sempre acontece nestas situações, passado poucos dias encomendei o meu próprio dispositivo. Foi então que, ao procurar esclarecer uma dúvida na Internet, dei de caras com uma referência a “Geocaching”. Depois, foi encontrar o website oficial, que ainda hoje utilizamos, e entusiasmar-me com o conceito.

Não sei quantas caches existiam no Algarve por essa altura. Talvez umas 15 ou 20. Dessas, umas 5 estariam num raio de acção razoável, a partir de casa. Entretanto, 2004 estava a ser um ano cheio de novidades. O GPSr seria uma adição menor, quando comparada com a primeira moto 4 da casa, uma Polaris Trailblazer 250 cc com motor a dois tempos, que ainda hoje conservo como “backup”.  Ou o Suzuki Samurai, actualmente encostado, com necessidade de uma reparação de escovas de motor de arranque. Foi um Verão glorioso, assombrado pelo enorme incêndio, talvez o maior do último século em Portugal, que lavrou descontroladamente durante sete dias, percorrendo, numa diagonal, cerca de 120 km. E foi precisamente nesses dias negros que encontrei a minha primeira cache.

Com um moinho de vento no caminho do sinistro, lá para o concelho de Almodôvar, as saídas de moto 4 para controlar o rumo das coisas eram permanentes. Na realidade, as chamas passaram por cima do moinho, que tinha acabado de ser recuperado, sem causar danos de monta. Mas se nos primeiros dias a nossa preocupação incidia apenas sobre esse projecto paralelo na serrania alentejana, ao fim de uma semana as chamas começavam a aproximar-se de forma ameaçadora de casa, e isso seria um caso mais sério. Por fim, quando uns 4 ou 5 km nos separavam do incêndio, um esquadrão de meia dúzia de pesados Canadair, num ribombar incessante entre curtas indas e vindas do oceano para Alportel, acabaram por debelar, por fim, as labaredas. No dia seguinte, ao fazer um reconhecimento dos estragos, encontrei um cenário de guerra… na aldeia de Alportel uma coluna de viaturas de bombeiros sem fim estendia-se, com dois e até três camiões de largura, enquanto os soldados da paz se estendiam num descanso merecido por todos os recantos sombreiros: sobre bancos, sob bancos, em cima das viaturas, no seu interior ou simplesmente no chão.

Portanto, foi na sequência desta experiência dantesca, com o terraço da piscina ainda coberto de cinzas e com o sol a aparecer de novo sobre a nuvem de fumo que durante dias a fio o obscureceu, que partimos para a primeira cache. Já não sei porque foi aquela a escolhida. Seria talvez a mais próxima? Nas imediações de Loulé, serra acima, na estrada que leva a Salir, encontra-se um alto. Aí, num moinho em ruínas com um especial no seu topo, o Afonso Loureiro havia plantado uma micro cache: a 16 (silly name, isn’t it) [Loulé]. Uma explicação, reirada da “listing”:

Porquê 16?, Bom, este moinho serve de ponto de referência no controlo de falhas geológicas em todo o Algarve, com GPS. Geralmente os pontos de referência estão montados nos marcos geodésicos. Nessa altura têm o nome do marco. Nalguns casos, há mais que uma falha entre dois marcos e é necessário um ponto noutro local, que recebem números como nome. É o caso deste. Para estudar a falha que passa a Sul de Loulé materializou-se um ponto neste moinho. Recebeu o nome poético de 16. É uma espécie de homenagem ao trabalho desenvolvido na minha faculdade.
Se subir ao topo do moinho verá um anel de inox chumbado no lado Sul. Serve para fixar a antena GPS exactamente no mesmo sítio, de campanha para campanha. Afinal de contas procuram-se deslocamentos de alguns milímetros.

Para ser sincero, deverei admitir que não guardo uma memória especial desse dia, nem das emoções sentidas ao avistar a caixinha. Era mais uma tarde de um início de Verão tão preenchido. O local era desconhecido para nós. As vistas impressionaram. Depois, foi entrar na estrutura semi-destruida e procurar. Recordo-me que foi simples. Num instante o container foi avistado. Era um “film canister”. O momento não foi tão mágico como seria de imaginar, considerando o entusiasmo que me manteve no jogo até aos dias de hoje.  Estava-se no dia 31 de Julho. No primeiro de Agosto, encontrei a minha segunda cache, Fonte da Taipa, que ainda existe, ao contrário da maioria que fui encontrando nesse primeiro ano. Depois, no decorrer desse mês, mais duas, apenas. Ao fim de um ano e meio, atingi a histórica marca de … 100 caches encontradas. E era isto um início cheio de excitação.


A logar a segunda, Fonte da Taipa

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