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Archive for Dezembro, 2011

Quando, a meio de uma viagem pelos Balcâs em Novembro último, o meu Dakota 20 começou a dar sinais de doença, fiquei preocupado. Depois, na sequência de quase duas semanas a lutar pela vida, finou-se. A memória interna parou de pulsar, para não mais voltar. E deixou-me, para ali perdido, numa terra desconhecida, sem referências, sem rumo… e sem saber como o substituir.

O mercado de unidades GPS é uma coisa depressiva. A Garmin reina, num regime de quase monopólio, depois de a Magellan, à custa de tiros sucessivos nos pés, se ter afundado sem salvamento à vista. E se tal sucedeu, não foi por mérito da concorrência, leia-se, da Garmin, mas sim porque o vigor com que disparou contra os seus pés foi superior.

Portanto, ali estava eu, em terras de Herzegovina, a pensar nestas coisas. Como é triste não ter uma alternativa, e ser assim empurrado para um novo negócio com uma marca cujo último equipamento, para além de plasticamente arruinado de forma precoce (ao fim de 20 meses o revestimento emborrachado do Dakota foi pelando até ficar apenas o plástico do chassis) morreu de forma estranha e com precisão cirúrgica: um mês depois de expirar a garantia.

As hipóteses em cima da mesa foram sendo adicionadas e retiradas ao sabor das descobertas feitas. Dakota 10 a 150 Eur… Oregon 450 a 300 Eur… Oregon 550… ai que isto já está a ir longe de mais… 400 Eur… hummm 374 Eur… melhor…. e porque não um Montana por 400 Eur? Porque é grande para caramba e este modelo não tem câmara. Bem, para o final ficaram os extremos: ou ia gastar quase nada num Dakota 10, que afinal é o que eu tinha menos a bússola de três eixos e o slot de cartãpo de memória (que nunca usei) ou ia gastar uma pequena fortuna num suposto topo de gama (ou será que o Montana é que o é….?).

Acabei por curar a consciência repetindo-lhe que isto é afinal o maior gosto que tenho na vida (não só Geocaching como viajar, andar na natureza, Waymarking) e que um dia não são dias. E foi assim que me tornei proprietário de um Garmin Oregon 550.

Não sei se foi da fase da Lua ou de ter ainda a carteira dorida, mas o primeiro dia de utilização deixou-me de mau-humor com a máquina. Se calhar esperava mais pela diferença de preço. Portanto, com o dinheiro que gastei neste Oregon 550 podia ter comprado TRÊS Dakota 10!! Mas, vejamos o que fiquei a ganhar em relação a apenas um desses:

  • Slot de cartão de memória;
  • Bússola de três eixos;
  • Câmara fotográfica;
  • Maior superfície de visualização;
  • Aplicação para cartuchos Wherigo;
  • e ainda… Uma garantia Garmin Portugal, porque o outro viria de França (Pixmania)

Certamente existirão pormenores que escaparam a este apanhado. Mas depois há também os factores opostos, que seriam dispensáveis: menor autonomia, peso e tamanho superiores. O peso foi aliás uma das coisas que me desagradou no primeiro momento, tamanha é a diferença em relação ao Dakota que costumava andar comigo. O seu aumento está longe de ser proporcional à melhoria do tamanho do screen! Pelo menos que signifique uma maior robustez e que daqui a dois anos não ande a apanhar bocadinhos deste Oregom do chão, como sucedeu com as borrachas do seu predecessor. Quanto à menor automomia, e, claro, às dimensões, são o preço a pagar pela maior área de screen.

E de que forma essa área reforçada melhorou o meu Geocaching! Senti-me que nem um rei, sentadinho no lugar do morto do cachemobil, que nem operador de AWAC, monitorizando todas as caches, estradas e estradecas num raio de não sei quantos quilómetros, de forma clara e ampla! Portanto, mesmo naquele primeiro dia de cepticismo amargo, esse foi um ponto claro a favor do Oregon. A área melhorada de screen conta, e muito!

Associada a esta melhoria, está a alta definição (quando comparada com a linha Dakota) destes screens. É um gosto para a vista, reforçado pelo brilho extra que se torna evidente. Não há dúvidas, a forma como este Oregon lida com a rivalidade da luz solar é muito aceitável. Está caída por terra uma das razões dos detractores dos GPS com touchscreen. Se já com o Dakota esse foi um problema que raramente me afectou, a questão fica despachada com os melhoramentos conseguidos nestes Oregon mais recentes.

Mas o que de facto fez pender a compra a favor deste Oregon adquirido a peso de ouro foi a sua câmara. Os 3.2 megapixels não significam nada. Nunca fui gajo de prestar atenção aos números, prefiro atentar nos resultados. E, por isso, procurei encontrar algumas imagens tiradas por um Oregon 550, tendo gostado do que vi. Já com ele na mão, fiz os meus testes e mais feliz fiquei. Para o tipo de equipamento, a câmara funciona que nem uma maravilha. Mais, para uma utilização on-screen, em muitos casos não noto grandes diferenças em relação à minha Nikon D90.

Se a qualidade das fotografias é razoável, não seria anda sem a feature que realmente me conquistou; a georeferenciação automática, ou seja, a inclusão das coordenadas nas imagens recolhidas, numa área invísivel do ficheiro gravado, que pode ser acedida mais tarde. As vantagens desta brincadeira davam por si só para um artigo. Vou portanto resumir: o meu Waymarking é agora uma maravilha… em qualquer lado que aviste um ponto de interesse, pimba, 3 ou 4 fotografias de ângulo e aproximação variada, e posso seguir viagem sem me preocupar com mais nada. Levo ali tudo para fazer um Waymark, com a vantagem de que, sendo os ficheiros JPG relativamente pequenos, posso fazer o upload das imagens sem perder tempo a processá-las, nomeadamente a reduzi-las para ficarem com um tamanho razoável. Depois, isso de marcar waypoints à passagem de algo cuja localizção pretendemos recordar, já era. Agora, tiro logo uma fotografia, e fico com as coordenadas e com a memória visual para não haver enganos. O mesmo quando largo um TB. Era sempre um drama. Passava a vida a meter as mãos pelos pés, a trocar as caches onde tinha deixado TB’s. Not anymore. Fotografia, já está. Claro que antigamente também podia tirar-lhes uma fotografia. Mas se um GPS está sempre comigo quando “cacho”, o mesmo não se pode dizer de uma câmara. Bem, agora pode-se. Escusado será dizer que é possível lidar com as fotos da mesma forma com que se abordam waypoints. Ou, em alternativa, adicionar uma foto a um waypoint.

Já que falo de imagens, tenho que abordar outra melhoria que este GPS trouxe ao meu Geocaching. Deixei de ser uma potencial vitima para os maniacos que colocam da hint: “ver foto spoiler”. Mesmo o que um tipo gosta de ler, quando está perdido no meio de um mar de calhaus no meio de nenhures. Ah está bem, foto spoiler, claro… [fazer um passe de magia … voilá… aqui está ela, tirada da manga! Pronto.  Mas o que anteriormente era um cenário de ficção, agora torna-se possível, graças ao visualizador de imagens incorporado no Dakota 550 (atenção que ouvi dizer que a última actualização para os Dakota inclui esta funcionalidade). Contudo é preciso avisar: raras coisas são simples quando se lida com a Garmin. Para ter acesso de forma funcional às fotos spoiler, é quase preciso tirar um curso superior, usar GSAK, instalar um número variável de scripts e por fim correr o POILoader.

Para terminar, não pude resistir a dar uma vista de olhos à lista de coisas que gostava de ver mudadas no meu ex-Dakota, que redigi apenas umas semanas antes dele “morrer”. Cerca de metade delas continua por se concretizar neste Oregon:

  • Que os favoritos e as caches e tudo o mais passem a funcionar como ficheiros estruturados numa hierarquia de pastas, tal e qual como sucede num sistema operativo e como era no Magellan Explorist. Pode-se assim abrir e fechar ficheiros, gerindo o que se necessita a cada momento e evitando o caos do tipo “tudo ao molho” causado pelo actual sistema.
  • Que se possam gerir as Geocaches da mesma forma como se faz com os Waymarks. Ou pelo menos permitindo apagá-las.
  • Seria óptimo poder manter mais do que um grupo de estatísticas dentro de um mesmo profile. Por exemplo, gosto de ver estatísticas referentes às minhas caminhadas, mas em dias em que me desloco a pé e de carro isso torna-se impossível.
  • Não custava mesmo nada permitir “gravar” as estatísticas, até para arquivo e posterior consulta.
  • Que a lista de caches encontradas se possa ordenar como quisermos, ou, se não puder mesmo ser, que seja ordenada por ordem de achamento e não por distância ao ponto actual, o que é quase absurdo. E digo “quase” porque pelos vistos há alguém na Garmin que vê alguma lógica nisto.
  • Que não fosse preciso desatar a correr para que a lista de Geocaches mais próxima nos mostrasse a setinha a apontar a direcção de cada uma delas.

O que é verdade é que agora ando sempre em pulgas para ir para o terreno e dar uso a esta máquina. E também ganhei um novo alento para a práctica do Geocaching, algo que tinha andado arredado das minhas vontades nos últimos meses.

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