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Archive for Novembro, 2013

caches

Lembro-me de colocar a minha primeira cache como se fosse hoje. Foi a Cerro de São Miguel, lá para 2005. Depois foi preciso outro ano para que nascesse a seguinte, entretanto arquivada na sequência de uma acção muito infeliz da Câmara Municipal de Loulé. A partir daí foi sempre a abrir e dei por mim com mais de 25 caches activas.

Mas então perdi a motivação para continuar. Algumas dessas deixaram de existir, arquivadas pelos mais diversos motivos, e nenhuma as veio repôr na lista de caches criadas.

 Mas o que sucedeu? Bem, nada em concreto. Nunca se passou nada de determinante, não aconteceu algo em determinado momento. Foi o evoluir de uma série de elementos, que hoje tento ordenar, até para minha própria compreensão.

 Vejamos, mais ou menos por ordem de importância decrescente:

 1) A multiplicação de caches colocadas por outros jogadores, de forma mais ou menos pertinente, criou-me a sensação de que as minhas seriam perfeitamente dispensáveis perante o vigor das novas gerações, que de resto depressa cobriram todos os locais em que vagamente imaginasse ter interesse colocar uma cache.

2) O aumento de jogadores, especialmente no período de Verão (não esquecer que a minha área de acção é o Algarve) trouxe uma carga e uma pressão às minhas caches para a qual não estava nem preparado nem disposto a corresponder: a manutenção necessária para uma cache que tem 10 visitas por ano é naturalmente diferente se este número crescer para 200. E foi isso que aconteceu. De repente tinha caches a desaparecer, caches a precisar de logbooks, de material de escrita, de caixas. Tempo e dinheiro numa escala não prevista. E em vez de um log para ler de vez em quando, para ler com um sorriso, passei a ter centenas deles para rever por obrigação.

3) A transferência gradual de direitos, por parte da entidade organizadora, dos owners para os achadores, criando situações desconfortáveis, e objectivamente aberrantes. Um exemplo apenas: a língua dos logs. Para a Groundspeak, um log pode ser escrito em qualquer língua. Mas segundo os termos aceites por todos os geocachers o owner tem a responsabilidade de garantir que não existem logs com determinados conteúdos (insultuosos, racistas, etc) nas suas listings. E como o fazer se o log for escrito em sânscrito? Segundo a Groundspeak, fazendo a tradução. Por exemplo, com um Google Translate. Não é o viajante, mas sim o owner, que já teve o trabalho de criar a cache, e, por arrastamento, qualquer outro jogador interessado em ler tal log, que deve ter trabalho a fazer essa tradução. E isso é basicamente inaceitável, significa que muitos terão o ónus que poderia e deveria caber apenas a um.

4) A crescente falta de respeito de uma parte excessiva de jogadores pelas caches de outrém, manifestada, por exemplo, por: containers mudados de sitio sem razão aparente; caches deixadas ao acaso depois de descobertas, com tampas mal fechadas e/ou a descoberto; logs minimalistas ou com críticas surreais; assinaturas a ocupar páginas inteiras de logbooks.

5) A consciência de que, em abstracto e por uma série de razões cuja abordagem não tem cabimento neste breve artigo, existem demasiadas caches em Portugal, e a indisponibilidade para contribuir para o agravamento dessa situação.

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