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Archive for Dezembro, 2013

ec-02

Quando entro na minha área de “field notes” reparo sempre nestas quatro entradas. Referem-se a Earthcaches que marquei como encontradas. A mais antiga, para os lados das minas do Lousal, foi visitada há pouco mais de um ano. Depois, há uma na Alemanha, em Leipzig, e as duas mais recentes foram encontradas em Istanbul em Outubro. E porquê que se mantêm por lá? Começo pela resposta curta: porque não tenho paciência para lhes escrever os respectivos logs de found. E agora, passemos à explicação detalhada.

Umas palavras preliminares. Nunca fui grande fã de Earthcaches, segundo parece, ao contrário da esmagadora maioria dos colegas geocachers. Mas eu posso explicar em duas linhas esta minha relação com este tipo de caches:

  1. Earthcaches são caches virtuais que abordam temas de geologia. Espera… mas as caches virtuais não foram excluidas do Geocaching? Foram, mas não as que se relacionem com geologia. A mim isto tresanda a discriminação. Discriminação de todos os que se dedicam e se interessam por outras áreas do saber. Se existem caches virtuais sobre geologia num geocaching onde caches virtuais foram excluidas, porque é que não se abrem excepções para caches virtuais dedicadas a História, Botânica, Zoologia e por ai em diante? Este regime de excepção desagrada-me.
  2. A grande maioria das Earthcaches apresentam-se numa linguagem técnica que tem o condão de me fazer de imediato desinteressar do que quer que pretendam ensinar. Os textos parecem saídos de manuais universitários ou livros técnicos, desadequados para leigos. Como consequência, a abordagem a estas caches passou a fazer-se como uma “obrigação”, um xarope amargo para ter direito a registar um “find”.

Dito isto, já me dediquei a encontrar Earthcaches. Umas quantas, no passado. Mas isso foram tempos que já não voltam. Eram dias em que se olhava para um mapa e em vez de uma cache debaixo de cada pedra, se viam 20 ou 30 por distrito. Depois mais, mas não em número que esmagasse. Quando era assim, a existência de uma Earthcache a 15 km era uma oportunidade de encontrar um local que prometia ser interessante e ter o prazer de escrever mais um log. Resolver as questões apresentadas, mesmo que não fosse a tarefa mais agradável da jornada, fazia-se com calma, e a coisa ia andando.

Subitamente estamos em 2013. Em querendo, encontram-se caches aos milhares por mês. Mais uma, menos uma, o que é isso… perdeu-se a noção das que existem na nossa região, não se conseguem guardar na memória todas as que se nos cruzam ao caminho. Neste contexto, o que é que exactamente me motivará a ultrapassar a lista de requisitos para logar uma Earthcache? Sim, uma Earthcache detém mesmo assim potencial para me revelar algo, para me mostrar um aspecto interessante do mundo. Mas, uma vez visitado o local, observado o fenómeno, simplesmente não encontro motivação para, chegando a casa, ir remexer apontamentos, passar fotografias, recolher os dados pedidos – por vezes mais do que o razoável dadas as circunstâncias – procurar o e-mail do owner, escrever-lhe uma mensagem, aguardar pela resposta… para quê?

A única razão que consigo vislumbrar será o reconhecimento pelo trabalho do owner. E aqui faço um mea culpa. É verdade. Mas não dá. Essas quatro caches na minha lista de Field Notes ali está para dar forma às minhas razões. Da primeira, duvido que mesmo em querendo alguma vez encontre os elementos pedidos no meio dos meus apontamentos de viagem. Quanto às outras, ainda os terei, mas mais depressa consigo escrever um artigo assim do que trato de tudo para que fiquem devidamente logadas. Por três smileys num mapa? Não vale a pena. Peço desculpa aos owners.

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