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Archive for the ‘Curiosidades’ Category

O Largo do Kinaxixe

mercado

Muito bem, quantos vocês já terão ouvido falar do Largo de Kinaxixe? Alguns, poucos. Eu, por exemplo, não fazia ideia da sua existência, até ontem. Estava aqui no silêncio da noite a trabalhar no meu primeiro livro, aspirante a escritor, perdido nos prazeres da novela histórica, quando precisei de encontrar um local na Luanda dos anos 70 onde uma das personagens pudesse encontrar uma florista. Bem, floristas a sério, de loja montada, não encontrei nenhuma, mas ocorreu-me que onde há mercados existem flores.

Toca de pesquisar os mercados de Luanda nessa época, e logo se destacou o mercado do Kinaxixe. Vi umas quantas fotos, de antes e de agora, que, por falar nisso, não são nada agradáveis. O local está disoluto e não é o tipo de sítio que poderá dar prazer aos exploradores urbanos. Adiante. Servia-me perfeitamente, mas tornava-se necessário, por questões de coerência narrativa, localizar Kinaxixe no mapa. Muito fácil para quem tem memórias de Luanda, o que não é o meu caso.

As primeiras pesquisa, corridas no Google Earth, não resultaram em nada. Tentei mais um ou dois expedientes, até que apareceu, no Google… oh… mas o que é isto… uma CACHE! Chamada Largo do Kinaxixe! Daquelas que não apareceriam no Geocaching.com considerando que está arquivada desde Maio deste ano. Tinha sido criada em 2009. Pensava que os reviewers para os países africanos de língua oficial portuguesa eram os portugueses. Fazia sentido, por uma questão de linguagem, mas não. A Groundspeak aplica a lógica geográfica à questão. Foi um tal de ROTSIP que deixou o justo ultimato, depois de DNF’s que já vinham desde Setembro de 2012. E depois o owner deu-lhe um fim definitivo.

O que importa é isto. Pela primeira vez nestes anos todos encontrei um pedaço de informação que procurava no Google numa listing de uma cache. É frequente ir dar a listings de waymarks, mas nem tanto a geocaches, e nem sei porquê. Descobri a localização do mercado de Kinaxixe, que me servia às mil maravilhas, e ainda pude ler um pouco sobre ele:

“Neste largo foi erigido em 1952 o mercado do Kinaxixe. Tinha como objectivo proporcionar aos vendedores de rua (kitandeiras e outros), higiene e conforto na venda dos seus produtos. Obra do arquitecto Vasco Vieira da Costa, com  uma  arquitectura de influências Corbusianas. Esta obra é referida nas revistas da especialidade, como uma das mais importantes efectuada pelos portugueses durante o século XX.”

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Há umas semanas houve um certo alvoroço na chamada “comunidade portuguesa de Geocaching”. A razão? Terem aparecido fezes, ordinariamente conhecidas como “merda”, no interior de uma cache. Na ocasião, quem atentasse nas vozes, seria levado a pensar, entre outras, duas coisas: que era acto inédito e que se tratava de um ajuste de contas muito pessoal, entre membros da dita comunidade. Ora, inédito, certamente não era. E quanto á segunda possibilidade, sinceramente, tenho bastantes dúvidas. Com mais facilidade um “muggle” javardo pespega com uma destas do que um bem asseado geocacher, mesmo aqueles de mente conspurcada, que os há. Mas adiante, o que eu queria mesmo era retirar uma certa nota conspiracionista a estes inconvenientes episódios, porque o que tenho hoje para contar está comprovadamente despido de qualquer factor comum. Trata-se isso sim, do mais porco dos elementos aleatórios. Senão vejamos…

A cena passa-se durante a minha visita de Maio de 2012 a Praga. Como alguns saberão, Praga é a minha segunda cidade, capital de uma Pátria adoptiva a que tantgo quero. E portanto não sertá de estranhar que por lá me desloque com bastante à vontade, conhecendo bem a rede de transportes públicos e procurando caches em cantos rebuscados da urbe. Ora neste dia, não particularmente bonito, nem particularmente frio, nem particularmente nada, em suma, completamente banal, sai eu para uma pequena caçada que implicava quatro ou cinco caches. A primeira, era um ajuste de contas. No ano anterior tinha lá estado e não tinha encontrado nada. Agora, o contentor está de volta, num novo local, ligeiramente afastado da posição original. Trata-se de um local sem nada de especial, à beira de uma via rápida e de uma ponte que a atravessa. Desta vez encontro-a e em poucos segundos. Aquele sorriso de vitória que todos conhecemos desenha-se-me nos lábios. “Estás ai…”. É um ovo de plástico, alojado numa reentrância de uma árvore. Apanho-o, desco-o à altura do peito e é nesse ponto que o abro… uma surpresa que dura milésimos de segundo… a caixinha estava cheia de líquido, que desaba sobre o meu corpo e pernas, apenas ressalvadas por um instintivo desviar. Água… talvez tivesse ficado mal fechado e a chuva tivesse feito das suas..? Errr. não. O cheiro é ligeiro mas não deixa enganar. Acabei de ser brindado com um duche de urina. Pronto, fecho o ovo, deixo no local onde o encontrei, dou o “found” como “found” e afasto-me a matutar na minha má sorte.

A cache seguinte não fica nas imediações. Vejo o autocarro certo passar por mim, levanto os olhos, vejo uma paragem a uma centena de metros e corro. Entro ofegante. Passados alguns minutos apeio-me e reinicio a caminhada que me levará ao próximo “found”. Esta cache é dedicada a um pequeno clube de futebol e está colocada no muro que demarca o seu campo desportivo. Encontro-a sem qualquer dificuldade. Está escondida atrás de um painel publicitário e é de tamanho regular. Abro a caixa e, maravilha… cheia de bosta, felizmente já algo seca, pelo que o cheiro é suportável. Abro-a e fecho-a mais depressa do que o diabo pisca os olhos. Tive sorte dentro do azar. Não me caiu em cima nem me conspurcou para além da memória visual que ficou.

Portanto, se um dia encontrarem fezes numa cache, dêem-se como felizes. Isso não será nada, em comparação com este espectacular um, dois. Ou dois em um. Duche de urina, caixinha de merda, no espaço de meia-hora, separados por 3 ou 4 km.

 

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São Romão do Corgo

São Romão do Corgo

Ah! Apanhei-vos! Já estão para ai a pensar que não era necessário ser ordinário. Que raio de título é esse… “A Merda…” !? Perdoem-me, mas no contexto julgo e mantenho ser essencial. Senão vejamos, esta pequena história foi contada no decorrer do CITO que teve recentemente lugar em Olhão, e como quem ouviu pareceu achar piada, fica agora por escrito, não vá alguém aqui cair por acaso e divertir-se também com o episódio.

A coisa aconteceu durante uma viagem pelo norte do país. Fiquei baseado em Amarante, em casa de um amigo – diga-se de passagem, um amigo que foi aspirante a Geocaching para rapidamente se desiludir com as políticas de reserva de locais para caches e se afastar – e foi com a sua sábia orientação que parti para um dia de Geocaching.

Muitas caixinhas foram encontradas mas o que importa ocorreu em Frei Bernardo de Vasconcelos – CBT. Era uma homenagem a esta figura religiosa, nascida ali mesmo, na casa fronteira à igreja de São Romão do Corgo. O dia estava cinzento, ameaçando chuva, e na aldeia não se via vivalma. Sem muggles a rondar, com coordenadas apuradas e uma boa dica, a cache apareceu rapidamente. A surpresa encontrava-se no interior: o logbook estava lá, inteiro e de boa saúde; já a “stashnote”, aquela notinha explicando o jogo para o que der e vier, não se achava em lado nenhum. Até ai nada de mais. Há owners que não se preocupam com esse detalhe. Mas após a fracção de segundo necessária para compreender o que os nossos olhos estavam a ver a gargalhada foi geral! Um caracol tinha comido a dita “stashnote”, digerido-a ali mesmo no local do crime e, não satisfeito com a ofensa, defecado-a em honra do próxima geocacher. Já tinha encontrado uma cache com fezes humanas como recheio, mas um agravo destes vindo de um caracol…. é a primeira vez! Fica a imagem:

A sanita do caracol

A sanita do caracol

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Os Bons Muggles

De Wikipedia “Muggle“:

Muggle, a term from the Harry Potter book series by J. K. Rowling, refers to a person who lacks any sort of magical ability and was not born into the magical world. It differs from the term Squib, which refers to a person with one or more magical parents yet without any magical ability, and from the term Muggle-born (or the more offensive mudblood), which refers to a person with magical abilities but without magical parents.”

No mesmo artigo, um pouco mais à frente, pode-se ler aquilo que quase todos os geocachers sabem: que o termo foi adoptado pelos practicantes deste nosso jogo para designar todos os humanos que não conhecem a magia de andar com um GPS na mão à procura de caixinhas, em suma, que nunca ouviram falar em tal coisa como Geocaching.

Todos nós tememos os “muggles”, essas criaturas ávidas de deitar a unha aos nossos tesouros mais queridos e estropiá-los das formas mais aviltantes. Quantas vezes chegámos a um ponto zero, cheios de vontade de assinar mais um gratificante “found”, apenas para ver os restos mortais daquilo que foi um dia uma garbosa cache, esventrada, com folhas de logbook afogadas em lama, um lápis aqui, um velho brinquedo acolá, tudo espalhado, à mercê dos elementos? E quem faz essas coisas? Pois é, quase sempre os malvados “muggles”.

Ora como a natureza maléfica daqueles que não conhecem o mundo da magia do Geocaching é amplamente reconhecida, decidi escrever este artigo para divulgar uma sub-espécie, infinitamente mais rara, a que chamarei de “os bons muggles”. Testemunhos dos seus actos podem ser recolhidos em inúmeros logs, que, contudo, se perdem das dezenas de milhares que anualmente são gerados. Muitos dos que me lêem nunca se depararam com um tal relato, e por isso escrevo estas linhas, onde falarei dos “bons muggles”.

Um dos tipos de “bons muggles” mais frequente é o residente. Falo das criaturas que moram nas imediações de uma cache, ou que por qualquer razão frequentam o local. Mais cedo ou mais tarde interpelam um geocacher, que, intimidado, lhes confessa tudo sobre o nosso jogo e sobre a cache que ali o trás. Ou descobrem, por si próprios, o que está por detrás daquela pedra que tantos estranhos remexem antes de abandonarem a área com um sorriso mal disfarçado nos lábios. Com o tempo ganham coragem, começam a interagir conosco, a indicar a direcção certa, tornam-se adeptos do jogo na qualidade de espectadores activos. Há casos em que raro é o log que não refere a aparição do “senhor” de sempre, de dedo esticado, apontando o spot prontamente, de expressão malandra, cúmplice. Muitas vezes são “muggles” reformados, habituados a passar os dias à espera de nada, debatendo-se na solidão que se renova a cada nascer do sol. E é com uma espécie de alegria que vêem aproximar-se mais um daqueles jovens de máquina na mão, com quem sabem poder ter dois dedos de conversa, antes de regressarem às suas rotinas que mais não são do que uma manta a aquecer o frio da vida que foi. Respeitem-nos! São “bons muggles”. E ajudam-nos.

Outro género de muggles que por vezes se revela benévolo provém dos “profissionais”. O jardineiro é um dos piores tipos de “muggle” mas é certo que alguns existem com coração de ouro. Recordo-me de me aproximar de uma cache, em Lisboa, convencendo-me que não a poderia procurar tamanha era a brigada de jardineiros que trabalha na zona. Acabei por descobrir que o esconderijo se encontrava num ângulo morto e joguei-lhe a mão. Encontrei o contentor e tenho a certeza que minutos antes este tinha sido inspecionado por um jardineiro que o colocou carinhosamente no seu ninho. Considerando a profundidade da limpeza envolvente, só poderá ter sido assim. Noutra ocasião, em Praga, onde vivia, uma equipa da “Câmara” abateu uma enorme árvore que se encontrava doente, e com ela, a cache que repousava no seu interior. Descobrindo-a, deram-se ao trabalho de contactar o owner, que mais tarde a levantou nos serviços municipais. As forças policiais fornecem alguns destes “bons muggles”.  A Jewell of Saphire (GCED4F) foi uma das melhores caches que já encontrámos. E um dos condimentos para o sucesso da jornada foi um delicioso log que lá fomos encontrar. À primeira vista nada havia de suspeito na última assinatura existente no logbook: GNR. Afinal de contas, se há uma banda de rock com esse nome, porque não um geocacher? Mas quis o destino que o olhar recaísse sobre essa entrada do livrinho e que as palavras começassem a fazer um sentido muito próprio. Não, não se tratava de um geocacher. A assinatura era mesmo deles, da instituição, essa mesmo, A Guarda Nacional Republicana tinha encontrado a cache. E a explicação estava toda lá: que alguém os tinha alertado para movimentações suspeitas naquele local ermo – vá-se lá entender como, pois “ermo” para descrever o sítio é favor e não se imagina como alguém poderia estar por ali presente para testemunhar as episódicas idas e vindas dos geocachers – e que eles tinham vindo cumprir a sua obrigação. Inspeccionado o local, o contentor foi descoberto e transportado para o posto. Ali, algum dos agentes da autoridade terá lido a stashnote e, reparando no endereço do website, consultou-o até compreender o conceito. Resultado: a cache foi devolvida ao seu devido lugar, com o tal log em que para além da narrativa dos acontecimentos constava uma frase de parabéns pela ideia e de boa sorte para o jogo. Ah! E ainda foi efectuado trade, tendo encontrado entre as prendinhas um calendário da GNR .

Deixem-me falar agora do “ex-bom muggle”. Não, não é que a sua bondade tenha expirado. O que sucedeu é que ao encontrar uma cache por acidente, sabe-se lá como, leu com atenção a “stashnote”. Chegou a casa e ligou-se à Internet. Visitou o geocaching.com. Achou tudo aquilo interessante…olhou para o smartphone, ali em cima da secretária e… tornou-se um geocacher! São mais do que a maioria de nós pensa. De tempos a tempos tropeço numa narrativa, geralmente na primeira pessoa, que dá conta de mais um “ex-bom muggle” feito agora geocacher. Quem diria, considerando as probabilidades.

E depois há um “bom muggle ocasional”, que tropeça numa cache no mais perfeito dos acasos, examina-a, segue o seu caminho, por vezes deixando para trás um pormenor requintado. Lembram-se do Boris, o emigrante, sabe-se lá de onde, talvez da Ucrânia, talvez da Moldova, que pendurou um container em local seguro com uma nota singela, traçada pela sua mão:  “I Love Portugal” ?

Bem, mas deixem-me agora fazer uma confissão: este artigo foi inspirado por um “muggle” específico, que não se enquadra em nenhuma destas categorias. Trata-se do Lázaro. E quem é o Lázaro? É o guardião e melhor amigo da minha cache Cerro do Botelho.  Já não me lembro qual foi a primeira vez que ouvi falar nele. Alguém me disse que um “muggle” local tinha encontrado esta cache por acidente e que a tinha transformado em objecto de adoração. Ri-me. Depois, muito mais tarde, passei por lá e percebi o que me tinham querido dizer. O bom do Lázaro passa regularmente naquele lugar ermo, e invariavelmente deixa um “log” no livrinho. Ao principio pensei que era aborrecido, um muggle estar assim a usar precioso espaço do logbook. Mas depois comecei a ler, e os sorrisos que aquelas puras mensagens me despertaram valeram bem os logbooks que terei que gastar. São inscrições do tipo “Bom dia a todos os amigos, hoje o dia está muito bonito. Lázaro”. “Olá, voltei aqui outra vez e está tudo bem. Lázaro”. “O Lázaro veio visitar”. Como se não bastasse o interesse que dedica à minha cache, agora criou um pequeno monumento. A sério! Ora vejam lá a foto que se segue….

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Não é todos os dias que reencontramos TB’s que já nos passaram pelas mãos, especialmente se entretanto já se passaram anos, mas foi isso que me sucedeu com o Big Nut, que em Junho de 2007 trouxe do centro de Portugal para o Algarve. Não fazia eu ideia que um par de anos volvidos havia de me saltar para as mãos e logo nas vésperas de uma viagem. E foi assim que este TB foi parar à cache Assumption Of Our Lady, em Malta.

Entretanto, andava eu por essa ilha, quando me salta para as mãos o TB Globus, que parece que queria regressar à República Checa, depois de umas voltinhas pelo mundo. Ora caiu mesmo na pessoa certa, já que ia passar apenas 10 dias em Portugal entre a visita a Malta e o regresso à Europa Central. Mas como as coisas se harmonizaram nesse sentido, adicionei um toque de requinte ao regresso desse TB. Não só o trouxe para o seu país de origem, como o deixei na cache (Alta Vista III) onde tudo começou, onde ele foi largado há mais de três anos.

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Passaram-se quatro dias. Noventa e seis horas, mais coisa menos coisa. E a dor continua. Naquele malfadado muro da cidade de Tavira quedou-se o meu fiel amigo de tantas cachadas. O heróico Magellan Explorist 500, que me acompanhou na descoberta de mais de duas mil caches e na frustração de umas quantas dezenas de DNF. Juntos, cruzámos doze países, voámos sobre as nuvens, percorremos milhares de quilómetros de carro. Lembro-me como se fosse hoje o momento em que lhe toquei pela primeira vez: foi em Praga, num apartamento alugado, em Outubro de 2006. O meu amigo Nelson, que voou dos EUA para se me juntar naquela cidade encantada trouxe-mo. Devo reconhecer que os primeiros meses de convivência não foram fáceis. Mas depois do período de adaptação soube que tinha ali um amigo para sempre… ou assim o pensava.

Prefiro não matutar o que está ele a fazer neste momento, onde se encontra pousado, em poder de quem… que tenha uma ainda longa vida, cheia de aventuras, antes de ser atraiçoado por um segmento da sua placa electrónica ou de se afundar num qualquer rio.

Estes últimos dias têm sido de intenso estudo, sob o qual procurei afogar o pesar. A vida terá que prosseguir, e assim dito, significa que um substituto deveria ser encontrado. Para já, tratei de encontrar não um, mas dois. Amanhã, se tudo correr conforme planeado, terei um irmão um pouco mais pobre deste Explorist 500. Será o modelo 400, cuja única diferença, assim de repente, reside no “screen” monocromático e na côr da unidade. De cinzento escuro passarei a verde, das cores passarei a um mundo a preto e branco. Mas a herança que me deixou o amigo perdido será ao menos aproveitada: carregador de isqueiro, base para o carro, base para a moto 4, estojo. Aqui, sei com o que conto, para o mal e para o bem.

Contudo, como me refugiei numa dinâmica frenética para esquecer a dor, não me fiquei por aqui. A caminho vem também o modelo mais recente da Garmin, e provavelmente do mundo do GPS: o Dakota 20. Uma espécie de Oregon mais pequeno, com um screen mais luminoso, mais leve, com maior autonomia energética. Em comparação com o topo da linha Oregon, o 550, fica a perder pela ausência de uma máquina fotográfica, por não lidar com o fenómeno WhereIGo e… pouco mais. Acrescentaria, assim de memória, a impossibilidade de definir imagens de fundo, o screen mais pequeno – também com vantagens inerentes – e a ausência de um visualizador de imagens.

Dakota 20

Dakota 20

Com o meu cunhado em viagem de trabalho nos EUA – bem, na realidade sendo piloto, uma viagem de trabalho é mais no percurso até lá, do que propriamente no país de destino – tive uma oportunidade imediata de comprar material a preço reduzido. Certo, perdi os mapas originais de Portugal que acompanham as unidades comercializadas por cá, assim como um procedimento simplificado em caso de problemas técnicos com o GPS. Nada de verdadeiramente problemático. E poupei umas centenas de Euros. Foi apesar de tudo um momento de tensão, quando ele me telefonou. “Olha, tenho aqui na mão um Oregon 400 e um Dakota 20. Custa isto e isto… queres ou não”. Só pedi dez minutos para reflexão, usados numa visita rápida para recapitular a materia num par de websites, depois, a esmagadora indecisão…. e… que se lixe, se me arrepender posso sempre tentar revender isto em Portugal.

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Praga, Primeiro de Outubro de Dois Mil e Oito. Saio para a ronda diária. Estou decidido a bater o recorde pessoal de dias consecutivos a encontrar caches, que se cifra actualmente em vinte e seis. Mas isso é um assunto que agora não interessa para nada. O que importa é a multidão! Pois é, uma pessoa já não pode andar às caches sossegadas, mesmo que não tenha combinado nenhuma caçada conjunta. Chego à primeira mesmo a tempo de ver um grupo de pessoas esconder o contentor. Mesmo ali debaixo dos meus bigodes. Nem se deram ao trabalho de olhar em redor. Ah pois é bébé, é assim que elas se vão, é quando não se tem o mínimo de cuidado com os muggles. Mas vá, sigamos, que isto estamos aqui hoje é para falar na multidão.

Chego à segunda do plano, a uns quatrocentos acidentados metros de distância. E é ai que esta alma fica parva. No meio do nada, quer dizer, de bosques e mais bosques sem nada de especial ou de interesse para as gentes humanas, está ali um cacho de pessoas, sem mais nem menos. Dois de bicicleta, dois a fazerem que namoram e um encavalitado numa árvore. Tudo às caches. Palavra de honra. Felizmente que tinha as coordenadas desactualizadas. Fui-me dali, curioso com tanta actividade. E quando me apercebi do erro, já só lá estavam os que faziam que namoravam, e que mesmo assim continuavam com o teatro. Tenho para mim que tinham o contentor nas mãos. Porque quando se afastaram fui encontrá-lo justamente onde se tinham instalado.

Bem, sigo para a terceira, trabalhosa, até porque ando manco e tive muito que trepar colina acima. Já quase de noite encontro-a, log feito, venho para baixo e que vejo eu. Outra vez os pinga-amor, desta feita para cima, quando já vou eu na rota descendente. Bem feita que cheguei primeiro, agora só tenho pena de não poder ter a desforra completa e fazê-los sofrer da forma como me fizeram a mim.

E dou o dia por completo. O que não sabia é que ia estar na caminha, bem quentinho, já perto da meia-noite, quando recebo um mail: nova cache em Praga. Onde? Ooops… a 400 metros de casa. Levanto-me e vou tentar o FTF ou não? Sim ou não? Sim. E quando decido está decidido. Foi sair a correr, quase com as calças na mão. A sorte bafeja-me: um eléctrico passa-me em frente quando me aproximo da paragem, de forma que 200 dos 400 são feitos a grande velocidade. O local conheço, claro, somos vizinhos. Assim que me aproximo ouço logo um Dobry Den, que é como quem diz, “boa noite”. Raios. Tenho já concorrência. Acaba por ser ele a encontrar a caixinha num local onde eu já tinha passado a mão, e depois de encetada a conversa, em bom inglês, concordamos em partilhar o apetecido FTF. Mas… qual FTF qual carapuça. Já lá estão… CINCO nomes. E esta hein? Em 15 minutos de vida, ou lá o que foi, a dona cache já levava 7 founds. É obra. Digo mesmo mais… é uma multidão que sufoca, esta comunidade de geocachers de Praga.

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