Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Hardware’ Category

Quando, a meio de uma viagem pelos Balcâs em Novembro último, o meu Dakota 20 começou a dar sinais de doença, fiquei preocupado. Depois, na sequência de quase duas semanas a lutar pela vida, finou-se. A memória interna parou de pulsar, para não mais voltar. E deixou-me, para ali perdido, numa terra desconhecida, sem referências, sem rumo… e sem saber como o substituir.

O mercado de unidades GPS é uma coisa depressiva. A Garmin reina, num regime de quase monopólio, depois de a Magellan, à custa de tiros sucessivos nos pés, se ter afundado sem salvamento à vista. E se tal sucedeu, não foi por mérito da concorrência, leia-se, da Garmin, mas sim porque o vigor com que disparou contra os seus pés foi superior.

Portanto, ali estava eu, em terras de Herzegovina, a pensar nestas coisas. Como é triste não ter uma alternativa, e ser assim empurrado para um novo negócio com uma marca cujo último equipamento, para além de plasticamente arruinado de forma precoce (ao fim de 20 meses o revestimento emborrachado do Dakota foi pelando até ficar apenas o plástico do chassis) morreu de forma estranha e com precisão cirúrgica: um mês depois de expirar a garantia.

As hipóteses em cima da mesa foram sendo adicionadas e retiradas ao sabor das descobertas feitas. Dakota 10 a 150 Eur… Oregon 450 a 300 Eur… Oregon 550… ai que isto já está a ir longe de mais… 400 Eur… hummm 374 Eur… melhor…. e porque não um Montana por 400 Eur? Porque é grande para caramba e este modelo não tem câmara. Bem, para o final ficaram os extremos: ou ia gastar quase nada num Dakota 10, que afinal é o que eu tinha menos a bússola de três eixos e o slot de cartãpo de memória (que nunca usei) ou ia gastar uma pequena fortuna num suposto topo de gama (ou será que o Montana é que o é….?).

Acabei por curar a consciência repetindo-lhe que isto é afinal o maior gosto que tenho na vida (não só Geocaching como viajar, andar na natureza, Waymarking) e que um dia não são dias. E foi assim que me tornei proprietário de um Garmin Oregon 550.

Não sei se foi da fase da Lua ou de ter ainda a carteira dorida, mas o primeiro dia de utilização deixou-me de mau-humor com a máquina. Se calhar esperava mais pela diferença de preço. Portanto, com o dinheiro que gastei neste Oregon 550 podia ter comprado TRÊS Dakota 10!! Mas, vejamos o que fiquei a ganhar em relação a apenas um desses:

  • Slot de cartão de memória;
  • Bússola de três eixos;
  • Câmara fotográfica;
  • Maior superfície de visualização;
  • Aplicação para cartuchos Wherigo;
  • e ainda… Uma garantia Garmin Portugal, porque o outro viria de França (Pixmania)

Certamente existirão pormenores que escaparam a este apanhado. Mas depois há também os factores opostos, que seriam dispensáveis: menor autonomia, peso e tamanho superiores. O peso foi aliás uma das coisas que me desagradou no primeiro momento, tamanha é a diferença em relação ao Dakota que costumava andar comigo. O seu aumento está longe de ser proporcional à melhoria do tamanho do screen! Pelo menos que signifique uma maior robustez e que daqui a dois anos não ande a apanhar bocadinhos deste Oregom do chão, como sucedeu com as borrachas do seu predecessor. Quanto à menor automomia, e, claro, às dimensões, são o preço a pagar pela maior área de screen.

E de que forma essa área reforçada melhorou o meu Geocaching! Senti-me que nem um rei, sentadinho no lugar do morto do cachemobil, que nem operador de AWAC, monitorizando todas as caches, estradas e estradecas num raio de não sei quantos quilómetros, de forma clara e ampla! Portanto, mesmo naquele primeiro dia de cepticismo amargo, esse foi um ponto claro a favor do Oregon. A área melhorada de screen conta, e muito!

Associada a esta melhoria, está a alta definição (quando comparada com a linha Dakota) destes screens. É um gosto para a vista, reforçado pelo brilho extra que se torna evidente. Não há dúvidas, a forma como este Oregon lida com a rivalidade da luz solar é muito aceitável. Está caída por terra uma das razões dos detractores dos GPS com touchscreen. Se já com o Dakota esse foi um problema que raramente me afectou, a questão fica despachada com os melhoramentos conseguidos nestes Oregon mais recentes.

Mas o que de facto fez pender a compra a favor deste Oregon adquirido a peso de ouro foi a sua câmara. Os 3.2 megapixels não significam nada. Nunca fui gajo de prestar atenção aos números, prefiro atentar nos resultados. E, por isso, procurei encontrar algumas imagens tiradas por um Oregon 550, tendo gostado do que vi. Já com ele na mão, fiz os meus testes e mais feliz fiquei. Para o tipo de equipamento, a câmara funciona que nem uma maravilha. Mais, para uma utilização on-screen, em muitos casos não noto grandes diferenças em relação à minha Nikon D90.

Se a qualidade das fotografias é razoável, não seria anda sem a feature que realmente me conquistou; a georeferenciação automática, ou seja, a inclusão das coordenadas nas imagens recolhidas, numa área invísivel do ficheiro gravado, que pode ser acedida mais tarde. As vantagens desta brincadeira davam por si só para um artigo. Vou portanto resumir: o meu Waymarking é agora uma maravilha… em qualquer lado que aviste um ponto de interesse, pimba, 3 ou 4 fotografias de ângulo e aproximação variada, e posso seguir viagem sem me preocupar com mais nada. Levo ali tudo para fazer um Waymark, com a vantagem de que, sendo os ficheiros JPG relativamente pequenos, posso fazer o upload das imagens sem perder tempo a processá-las, nomeadamente a reduzi-las para ficarem com um tamanho razoável. Depois, isso de marcar waypoints à passagem de algo cuja localizção pretendemos recordar, já era. Agora, tiro logo uma fotografia, e fico com as coordenadas e com a memória visual para não haver enganos. O mesmo quando largo um TB. Era sempre um drama. Passava a vida a meter as mãos pelos pés, a trocar as caches onde tinha deixado TB’s. Not anymore. Fotografia, já está. Claro que antigamente também podia tirar-lhes uma fotografia. Mas se um GPS está sempre comigo quando “cacho”, o mesmo não se pode dizer de uma câmara. Bem, agora pode-se. Escusado será dizer que é possível lidar com as fotos da mesma forma com que se abordam waypoints. Ou, em alternativa, adicionar uma foto a um waypoint.

Já que falo de imagens, tenho que abordar outra melhoria que este GPS trouxe ao meu Geocaching. Deixei de ser uma potencial vitima para os maniacos que colocam da hint: “ver foto spoiler”. Mesmo o que um tipo gosta de ler, quando está perdido no meio de um mar de calhaus no meio de nenhures. Ah está bem, foto spoiler, claro… [fazer um passe de magia … voilá… aqui está ela, tirada da manga! Pronto.  Mas o que anteriormente era um cenário de ficção, agora torna-se possível, graças ao visualizador de imagens incorporado no Dakota 550 (atenção que ouvi dizer que a última actualização para os Dakota inclui esta funcionalidade). Contudo é preciso avisar: raras coisas são simples quando se lida com a Garmin. Para ter acesso de forma funcional às fotos spoiler, é quase preciso tirar um curso superior, usar GSAK, instalar um número variável de scripts e por fim correr o POILoader.

Para terminar, não pude resistir a dar uma vista de olhos à lista de coisas que gostava de ver mudadas no meu ex-Dakota, que redigi apenas umas semanas antes dele “morrer”. Cerca de metade delas continua por se concretizar neste Oregon:

  • Que os favoritos e as caches e tudo o mais passem a funcionar como ficheiros estruturados numa hierarquia de pastas, tal e qual como sucede num sistema operativo e como era no Magellan Explorist. Pode-se assim abrir e fechar ficheiros, gerindo o que se necessita a cada momento e evitando o caos do tipo “tudo ao molho” causado pelo actual sistema.
  • Que se possam gerir as Geocaches da mesma forma como se faz com os Waymarks. Ou pelo menos permitindo apagá-las.
  • Seria óptimo poder manter mais do que um grupo de estatísticas dentro de um mesmo profile. Por exemplo, gosto de ver estatísticas referentes às minhas caminhadas, mas em dias em que me desloco a pé e de carro isso torna-se impossível.
  • Não custava mesmo nada permitir “gravar” as estatísticas, até para arquivo e posterior consulta.
  • Que a lista de caches encontradas se possa ordenar como quisermos, ou, se não puder mesmo ser, que seja ordenada por ordem de achamento e não por distância ao ponto actual, o que é quase absurdo. E digo “quase” porque pelos vistos há alguém na Garmin que vê alguma lógica nisto.
  • Que não fosse preciso desatar a correr para que a lista de Geocaches mais próxima nos mostrasse a setinha a apontar a direcção de cada uma delas.

O que é verdade é que agora ando sempre em pulgas para ir para o terreno e dar uso a esta máquina. E também ganhei um novo alento para a práctica do Geocaching, algo que tinha andado arredado das minhas vontades nos últimos meses.

Read Full Post »

Lista de Pedidos ao Pai Natal para um Garmin Dakota melhor

  • Que os favoritos e as caches e tudo o mais passem a funcionar como ficheiros estruturados numa hierarquia de pastas, tal e qual como sucede num sistema operativo e como era no Magellan Explorist. Pode-se assim abrir e fechar ficheiros, gerindo o que se necessita a cada momento e evitando o caos do tipo “tudo ao molho” causado pelo actual sistema.
  • Que se possam gerir as Geocaches da mesma forma como se faz com os Waymarks. Ou pelo menos permitindo apagá-las.
  • Seria óptimo poder manter mais do que um grupo de estatísticas dentro de um mesmo profile. Por exemplo, gosto de ver estatísticas referentes às minhas caminhadas, mas em dias em que me desloco a pé e de carro isso torna-se impossível.
  • Não custava mesmo nada permitir “gravar” as estatísticas, até para arquivo e posterior consulta.
  • Que a lista de caches encontradas se possa ordenar como quisermos, ou, se não puder mesmo ser, que seja ordenada por ordem de achamento e não por distância ao ponto actual, o que é quase absurdo. E digo “quase” porque pelos vistos há alguém na Garmin que vê alguma lógica nisto.
  • Que existissem garantias de que o paperless Geocaching nunca deixava uma pessoa apeada. Há poucas coisas mais frustrantes do que chegar ao local de uma Earthcache um Multicache e descobrir que as questões a responder não aparecem no GPS porque existe demasiado texto.
  • Que existissem garantias que nenhuma cache crashava o GPS ao carregar a descrição, como actualmente sucede com algumas situações.
  • Que não fosse preciso desatar a correr para que a lista de Geocaches mais próxima nos mostrasse a setinha a apontar a direcção de cada uma delas.
  • Que o limite (artificial, imposto por decisão “política”) de Geocaches fosse elevado
  • Que os materiais usados fosse de melhor qualidade de forma a não ter um Dakota com a cobertura em borracha toda pelada ao fim de menos de dois anos de utilização.

Read Full Post »

Kindle e Geocaching

Para começar e para quem não saiba  que é um Kindle, uma breve definição: trata-se de um aparelho de leitura de livros em formato electrónico, desenvolvido e comercializado pela Amazon, actualmente na sua versão 3. Trata-se do “bicho” que podem ver na imagem que se segue, e que adquiri há um par de semanas, depois de meses de indecisão (como leitor, não me convence, como se pode ler nesta minha análise, mas não é disso que hoje aqui se trata).

Como Geocacher este equipamento foi-me já bastante útil na área do chamado “paperless Geocaching”, ou seja, no transporte dos dados necessários para o achamento de caches sem a impressão e utilização de folhas impressas, com o seu ónus financeiro, funcional e ecológico.

O que há a fazer é “imprimir” a “listing” da cache que se pretende abordar em formato PDF. Existe software que o permite fazer de forma mais práctica, instalando uma impressora virtual no sistema (e estou a falar de computadores do universo Microsoft Windows) que funciona tal e qual como uma impressora normal, só que em vez de enviar o que se pretende para uma folha, envia para um ficheiro PDF.

Em teoria o Kindle permite ler ficheiros PDF. De forma geral é uma possibilidade apenas teórica, porque para livros nesse formato a legibilidade é nula. Só que para uma “listing” a coisa é aceitável, e como o dispositivo é altamente transportável e a sua tela é perfeitamente imune a reflexos e à concorrência de luz ambiente (nem é rectroiluminada) sendo bastante práctica.

É uma pena que o browser que vem instalado no Kindle 3 não permita carregar ficheiros HTML a partir da memória interna, ao contrário do que sucedia na versão anterios, o Kindle 2. Pouparia muito trabalho, e com o recurso a ferrmentas existentes, permitiria carregar no Kindle uma quantidade enorme de caches para consulta confortável no adequado monitor do equipamento. Mas isso não sucede e por isso o Geocacher que queira usar o Kindle para apoio à actividade terá que recorrer aos PDF, o que significa que terá que manualmente gerar os ficheiros de cada cache, uma a uma. Não é a solução ideal, mas serve muito bem para pequenas expedições, preparando-se apenas os PDF’s das caches mais complexas.

Há que considerar os cuidados  ter com o equipamento, que não tem a robustez de um GPS dedicado. O monitor é algo delicado e não é à prova de água. De resto, nada de novo para quem usa Smartphones ou TomTom’s para andar às caches.

Read Full Post »

BirdsEye

Depois de um pré-anúncio, hoje vi um velho sonho tonar-se realidade: a capacidade de transportar para o campo imagens de satélite, tipo Google Earth.  Melhor que isso, as imagens vão dentro do GPS, à laia de mapa, e não num qualquer PDA, Netbook ou Laptop.

O serviço, promovido pela Garmin, e disponível para algums modelos desta marca, utiliza o software BaseCamp para chegar até ao nosso GPS. O custo de utilização ilimitada é de cerca de 25 Eur por ano, sensivelmente o mesmo que pagamos pelo estatuto de Premium Member à Groundspeak. De resto, para se experimentar, pode-se usar um pequeno segmento, o que fiz, com sucesso. Os resultados foram positivos, com muito mais legibilidade e rapidez do que esperava para um ecrã pequeno como o do Dakota. Na realidade dá a ideia que “trabalhar” com estas imagens se torna mais rápido do que o fazer com os mapas “tradicionais”. Próximo passo: subscrever o serviço. Será de imediato, e se for caso disso, reportarei as novidades aqui. Para já, ficam as imagens, como disse, em qualidade intermédia. As imagens podem parecer algo deslavadas, mas no dispositivo Dakota 20, apesar de não serem um exemplo perfeito de brilho e côr, surgem com um aspecto bem melhor.

Read Full Post »

Ora bem. Há já algum tempo que andava a matutar em escrever umas linhazitas sobre este assunto, e hoje, ao ler uma participação no fórum Geocaching@pt decidi ter chegado a altura.

Há muito, muito tempo, tinha eu um Garmin Etrex qualquer (eles são tantos que há muito desisti da pretensão de conhecer toda a linha e identificar os modelos individualmente), movido a pilhas. Pesadelo atrás de pesadelo! Inevitavelmente, de cada vez que saia em acção, algo relacionado com a fonte de energia da unidade – as tais malditas pilhas – vinha ensombrar o dia! Depois, o Etrex deixou de chegar. Queria algo mais moderno, com outras capacidades, e encomendei um Magellan eXplorist 500. Que, alegria das alegrias, não dependia desses pequenos instrumentos satânicos para funcionar. Mas o tic-tac inexorável do tempo não perdoa, e como tudo chega um dia ao seu fim, também o bem-amado eXplorist se finou. E então, foi o regressar à velha marca… e aos velhos pesadelos. É que o novinho Garmin Dakota 20, também ele, precisa de duas pilhaças no seu ventre para dar sinais de vida.

A tendência de abandonar baterias nativas e equipar dispositivos de electrónica de consumo com pilhas parece ser uma corrente actual, e ao trocar umas impressões com malta conhecida, compreendo porquê. Parece que sou só eu que não suporta a assombração permanente das pilhas, e que o mercado quer mesmo é as chatices que elas trazem. Dizem que em caso de necessidade, em qualquer parte se compra umas pilhas. O que é mais ou menos verdade, concedido. Mas não só não é uma garantia total, como abaixo se verá, como me parece muito pouco. É que é mesmo tudo o que conseguem apontar em sua defesa. E a isso se agarram, é mesmo aquilo que querem e não há nada a fazer. Já eu, crítico dessas coisinhas das pilhas até a último fôlego, consigo reunir mais argumentos. Vamos lá então ver todos os sabores e tonalidades de que se têm revestido até hoje as torturas a que tenho sido submetido com a porcaria das pilhas:

  • Como nunca se sabe, acho que é consensual que não se sai para o campo apenas com as baterias que estão no corpinho do GPS. Mais peso, volume e provavelmente um irritante chocalhar no saco ou no bolso.
  • Algumas pilhas desenvolvem o irritante hábito de se descarregarem sozinhas; ora como geralmente temos mais em que pensar, o comum dos utilizadores não estará a controlar em que data carregou as ditas cujas e qual é a validade dessa carga. Estão carregadas, pronto, estão carregadas… isto até se ter a desagradável surpresa de se exaurir as que sairam de casa na pança do GPS, e quando se vai a colocar as pilhinhas totalmente carregadas se descobrir que afinal temos ali coisa para 10 minutos de funcionamento e depois adeuzinho, regresso a casa antecipado.
  • Depois, entra o factor de falha humana, mas mesmo assim perfeitamente legítimo nesta discussão, uma vez que errar é atributo dos homo sapiens, e assim como assim, não havendo pilhas não existiria sequer margem para esta asneira: muito simplesmente, pensamos que as tinhamos carregado, e afinal esquecemo-nos, ou fizemos confusão, e a culpa não é das meninas mas sim nossa, mas em termos prácticos a verdade é que vamos por elas e lá está… o tal regresso antecipado a casa.
  • Assumindo que as duas que estão lá dentro quando se sai não são suficientes para um dia inteiro de Primavera a cachar, e que é preciso pelo menos mais duas (se tudo correr bem com essas “mais duas”), pode ainda suceder uma coisa: terem ficado esquecidas em cima da mesa de cabeceira, na pressa de sair de casa a pensar em milhentas coisas ao mesmo tempo…
  • … ou então, porque estas coisas acontecem, terem saltado do bolso, ou da bolsa da porta do carro quando se abriu na estação de serviço… e a verdade é que quando se vai por elas, nada.
  • Depois, há a durabilidade e toda a ciência do conhecimento que envolve pilhas, e que não interessaria a ninguém caso não fosse obrigatório o convivio com estes objectos diabólicos. E se um tipo não se formar rapidamente em “engenharia de pilhas”, acaba por comprar as más marcas com tudo aparentemente certinho, ou as boas marcas com más especificações, e no final, ao fim de meia dúzia de meses, decide-se que o melhor é deitar aquelas para o lixo porque estorvam mais do que ajudam. Junte-se a isso as tais pilhas especiais de corrida que cairam do bolso, mais aquelas que apanharam um pouco de chuva e acabaram apodrecidas no pilhão, ou que sofreram qualquer acidente passível de sofrer a pequenas coisas que andam em avulso por ai… e a despesa em pilhas ao fim do ano é capaz de ser considerável.
  • E será que existem mesmo por ai, por debaixo de cada pedra, pilhas destas à venda? Que são vulgares lá isso são, mas uma das vezes em que tudo correu mal e estava mesmo decidido a fazer Geocaching, eram 9 da mahã de um Domingo, e estava perto da vila ou cidade do Entroncamento. E pilhas à venda por lá? Nada. Népias. Nil. Afinal, não é garantido que na hora de necessidade, se encontrem pilhas destas por todo o lado.
  • Bem, reconheço que na maioria dos casos até se conseguem comprar sem grandes problemas; é por isso que já tenho um stock de umas 12 pilhas não recarregáveis novinhas, usadas uma vez, como remendo de qualquer um dos problemas acima assinalados.

E certamente mais incidentes vivi relacionados com estas coisas das pilhas. Mas estou a escrever este artigo ao correr da pena, ou melhor, do teclado, pelo que despejei o que tinha de memória, apontando as probabilidades para a existência de mais matéria enterrada nos arquivos mentais.

E agora, o que há a contrapôr a uma bateria nativa?

  • Dura e dura e dura. Não é preciso andar com mais uma ou duas no bolso. Não certamente para um dia de Geocaching, por mais longo que seja, e muitas vezes até aguenta com uma carga todo um fim-de-semana. No caso de tour prolongada, com pernoita, o máximo que pode acontecer é ter que levar carregador.
  • Como está sempre dentro do GPS, não se perde nem se esquecem em casa, a não ser que ele se vá, e nesse caso será o menor dos nossos males.
  • Por qualquer razão, quando estão carregadas, mantém-se carregadas por longo tempo.
  • Não há nada que saber, nenhuma ciência a estudar. Carrega-se ligada à energia como o telemóvel e pronto.
  • Não se prevê que exista alguma despesa associada à bateria nativa do GPS.

Facto: Dos inconvenientes apontados às pilhas, já todos me sucederam, por vezes mesmo em associação acumulativa. E sempre por mais de uma ocasião. Aquando da minha primeira “visita” ao “maravilhoso” mundo das pilhas, com o Etrex, era um problema dia sim dia não. Agora, com o Dakota, que já leva 3 ou 4 meses, a coisa melhorou um pouco. Até agora tem sido só mesmo o incómodo de carregar a dose extra de pilhas e o cuidado obsessivo: estarão carregadas? Já estão no saco? De certeza? Estão a descarregar muito depressa? Ainda se aguentam até ao fim do dia?

Facto: Dos inconvenientes eventualmente apontados a baterias nativas, nunca nenhum me sucedeu. E digo “eventualmente” porque não lhes conheço nenhum. Em anos e anos de utilização, o pior que aconteceu foi ter-me esquecido sucessivamente de colocar à carga o GPS, e ao fim do terceiro dia disto, claro, apagou-se no decorrer da acção. Culpa minha e ocorrência única em todo este tempo.

Read Full Post »

Garmin Dakota 20

Dakota 20

Dakota 20

Aspectos Físicos

Trata-se de uma unidade bastante pequena, quase cabendo no interior de uma mão fechada (e com certos meninos há-de caber mesmo). Para muitos, isto é uma vantagem. Eu até preferiria que fosse um pouco maior, e não apenas para ter uma área de screen superior…. é pequeno demais, pronto. Perde-se mais facilmente, não se agarra tão bem. Aparentemente, segundo as especificações oficiais e alguns “testers” mais corajosos, é completamente à prova de água, mas mesmo assim não convém deixá-la cair borda fora, porque flutuável não é. Tem um aspecto resistente. Resta apurar se o é, e, também neste caso, peço desde já desculpa aos leitores: não sou eu que irei arremessá-lo contra as paredes, ou mesmo largá-lo da minha mísera altura. Terei que limitar as apreciações ao aspecto. Como disse, resistente. E compacto.

Esteticamente, e nisto as coisas são altamente subjectivas, gosto. O tom tristonho do chassis cinzento escuro ganha um pouco de alegria pelos “fios” laranja escuro que marcam a “frame”. Tem um aspecto sóbrio mas a côr restitui-lhe o balanço estético.

A entrada para a ligação mini-USB encontra-se atrás, devidamente protegida por uma pala de borracha que se abre e fecha sem qualquer esforço, não se antevendo danos causados por uso continuado. Se isso vier a acontecer, dá para perceber que a peça se encontra fixa por dois parafusos, e provavelmente pode ser adquirida em avulso.

Logo abaixo, a tampa que dá acesso à cavidade das pilhas. Também ela se retira e coloca com extrema facilidade. Por baixo, o slot para o cartão micro SD (até 8 Gb). Incluido na embalagem está um fio para se levar a unidade ao pescoço, ou presa a algo… no meu caso, adicionei-lhe um mosquestão, adicionando funcionalidade extra.

Screen

Primeira página do menu... personalizada para GC

Primeira página do menu... personalizada para GC

Antes de comprar esta unidade estava bastante preocupado com a legibilidade do screen no exterior. A realidade revelou-se bastante acima das expectativas. Em utilização comum, apenas ao observar o mapa numa escala menor senti algumas dificuldades. Claro que andando na rua, o screen não apresenta o aspecto belissimo que pode ser visto nas imagens capturadas. Mas em termos funcionais, pouco ou nada perde. Mas estou convencido que o relacionamento entre o utilizador e o screen será sempre influenciado por experiências anteriores. Quem nunca usou PDA’s ou outros dispositivos de ecrã táctil, é capaz de ficar negativamente impressionado.

Ocupando quase totalmente a área frontal da unidade, o screen não será tão amplo como os da linha Oregon, mas mesmo assim é bastante aceitável, especialmente comparando com os eTrex.

O brilho de fundo pode ser intensificado ou reduzido, através de um toque ligeiro no botão de ligar o GPS, que o levará a um menu de controle do brilho (onde também poderá activar a função de ecrã bloqueado).

A interacção táctil é positiva. Apenas o scroll de páginas de caches levanta certas dificuldades. Quer a descrição quer o registo de logs podem ser extensos, e não existe uma barra de scroll… tem mesmo que se ir passando lentamente com o dedo.

Comportamento em Campo

Sendo a minha terceira unidade GPSr, não notei diferenças de vulto na sua eficácia; aparentemente, ou por estar em dias menos bons quando fiz testes comparativos, perde um pouco em precisão para o Magellan eXplorist 400 que tenho agora como uniade de backup. Mas uma coisa mínima. Se em cima da cache o eXplorist dá zero metros, o Dakota dá 2 metros.

A rapidez de aquisição de sinal é muito boa. Na maioria dos casos, quando o GPS emerge da rotina de arranque, já tem sinal activo. De resto, o bom relacionamento da unidade com os satélites nota-se até dentro de casa, onde geralmente é adquirido sinal, mesmo que exista apenas uma janela na sala.  Menos agradável tem sido a perfomante da bússula de três eixos. Se calhar era eu que tinha demasiado expectativas. Já me via a saber para que lado estava a cache mesmo antes de arrancar com o carro. Mas não. Para além da necessidade constante de calibração, eu não confiaria na indicação desta bússola para nada. Em termos prácticos, resolvi colocar-lhe o rótulo de inútil, e deixar de a usar.

Geocaching

O Geocacher deverá começar por preparar um ficheiro GPX. Pode ser um Pocket Query puro ou um ficheiro exportado, por exemplo, do GSAK. Depois, é colocá-lo no folder adequado, onde pode conviver com outros do mesmo tipo e já está: ao ligar o GPS as caches constantes desse ficheiro (juntamente com as dos outros que estão no mesmo folder) aparecerão na lista de caches mostrada na unidade. Se não estiver para estar a gerar ficheiros GPX, note-se que pode simplesmente usar o website do Geocaching para enviar caches directamente para o Dakota.

Uma vez no campo, pode aceder à lista, que aparecerá ordenada por proximidade, mas com toda a facilidade pode pesquisar introduzindo o nome ou parte do nome de quaqluer cache. Escolhendo uma, esta será mostrada no mapa, e se for aquela mesmo que quer procurar, deverá clickar no botão Go. Para usar a bússula, terá que fechar esse screen e voltar ao menu, escolhendo ai a ferramenta bússula (ou qualquer outra que desejar). A qualquer momento poderá consultar a descrição da cache, assim como a hint ou os longs anteriores. Para isso, é regressar ao menu principal e carregar na opção Geocaches, onde terá esses elementos à escolha. Além disso, poderá marcar a cache como encontrada, DNF, necessitando de manutenção ou “unattempted”.  Marcar o status das caches na altura poderá dar um jeitão quando chegar a casa, mais tarde. É que os “fields notes” são uma maravilha. Ligando o GPS ao computador e entrando no Geocaching.com, poderá então fazer o upload dos dados, acedendo a uma página onde a sua actividade diária está desde logo alinhada. Acabaram-se os esquecimentos de logs!

Além disso, se estiver a usar o “dashboard” do perfil Geocaching, a qualquer altura pode visualizar o número de caches encontradas nesse dia (a bem dizer, desde a última vez que fez reset aos dados).

Tão a ver... ele indica: o Torgut encontrou 4 hoje !

Tão a ver... ele indica: o Torgut encontrou 4 hoje !

Descrição de uma cache, início

Descrição de uma cache, início. Para baixo, o texto.

Extras

Para além das habituais ferramentas (bússula, mapas, planeador de rotas, marcação de waypoints, dados da viagem, track manager, etc) o Dakota oferece uns extrazinhos, demasiadas vezes inúteis. Aqui estão, com uma ordenação subjectiva, do mais relevante para o mais supérfluo:

  1. Waypoint averaging, que dá um jeitaço aos Geocachers na altura de colocar uma caixinha. Já testei, e com grande sucesso. Logo de seguida simulei a procura da cache com um Magellan e fui dar com ela tendo indicação de zero metros para o ponto.
  2. Calculadora, sempre preciosa para ir a multi-caches e algumas caches mistério.
  3. Sol e Lua, horas a que se põem e se levantam. Pode dar jeito para alguma planificação, mas nunca senti necessidade.
  4. Gráfico de altitude, que mostra a evolução do nosso percurso consoante a altitude.
  5. Cronómetro. Bastante completo mas… quantas vezes o usaremos?
  6. Despertador. Humm se não tivermos um telemóvel com despertador (alguém não tem?) não é mau. Barulhento quanto baste e funciona mesmo que tenhamos desligado a unidade.
  7. Man overboard. Marca um ponto e automaticamente coloca-nos em rota de retorno.
  8. Cálculo de área. Como o nome indica, permite-nos calcular a área no interior do perímetr que acabámos de plamilhar. Será útil para alguns, completamente desnecessário para a maioria. E daqui para a frente entramos no campo das funções totalmente inúteis.
  9. Hund and Fish; Nunca percebi a sua utilidade real, mesmo para caçadores e pescadores.
  10. Calendário. Pura e simplesmente isso, como se fosse um calendário de papel, daqueles que se usavam há muitos anos.
  11. Sight’NGo: ainda não consegui perceber o que é isto e para que serve.
  12. Share Wirelessly: mais um sinal de que os engenheiros da Garmin perdem demasiado tempo a desenvolver inutilidades, tempo esse que podia ser bastante melhor empregue. De facto, é já a seguir, que vou encontrar ali na rua outro Geocacher, que, coincidência, tem um GPS desta gama, a que, coincidência, me convém mesmo passar um waypoint. Tende juizo!
Ora quantas janelas eram... ?

Ora quantas janelas eram... ?

Notas Diversas

Coisas que me ocorrem, assim de repente. Quase toda advêm da inevitavel comparação com a unidade que usava anteriormente. Umas más, outras boas. E ainda algumas que são simples considerações:

  • A unidade funciona com pilhas, que é coisas que eu detesto, aparentemente ao contrário da voz corrente. A verdade é que após cinco anos de Geocaching, todas as vezes que fiquei apeado por falta de energia na unidade, foi com aparelhos a pilhas. Fosse porque elas se descarregaram a uma velocidade inesperada, porque as qe tinha trazido para repôr estavam afinal sem carga, ou porque as perdi, ou porque contava comprar e me esqueci ou não encontrei à venda… ou porque fui de fim-de-semana e o carregador ficou em casa, ou ficaram todas as pilhas recarregáveis esquecidas… em suma, DIABOS CARREGUEM A PORRA DAS PILHAS! Tendo que viver com elas, posso dizer que umas boas pilhas alcalinas duram cerca de 15 horas. Não tive oportunidade de realizar testes com outro tipo de pilhas, mas parece que é importante dizer ao GPS (não é falando tolinhos, existe mesmo um local para isso no sistema de menus) que tipo de pilhas se está a usar.
  • Acho adorável o GPS manter em memória a cache para onde queremos ir, mesmo depois de ter sido desligado. Para os utilizadores de Garmin, isto será um facto adquirido e estarão a estranhar o entusiasmo. Mas o eXplorist, fruto de um “golpe de génio” dos seus engenheiros, esquece a informação de cada vez que se desliga… ah… mas não se estiver em routing de estrada, o que salienta que a falha é um bug que resistiu a anos e anos de bug fixs.
  • O conceito de “Perfis”, não sendo uma novidade em máquinas Garmin, é-o para mim. E coisa muito conveniente o é. Podem-se escolher opções, comportamentos, côres para os perfis pré-definidos, e criar perfis adicionais.
  • Horrível, mas já sabido, é a impossibilidade de gerir os dados (tracks, waypoints, geocaches) em ficheiros e folders separados, abrindo-se estes e fechando-se segundo as conveniências. Estava mal habituado, porque esta é uma das (poucas) maravilhas da linha eXplorist. Pois não tem lógica que se mantenha as caches do Minho separadas das do Algarve,  a lista dos nossos restaurantes favoritos em redor de casa, dos pontos a visitar durante a viagem que se avizinha a Malta, ou dos locais que se achou lindissimos na visita ao Egipto o ano passado? Para a Garmin é tudo coisa para o mesmo saco, mas eu digo NÃO! É uma porcaria, assim.
  • Fiquei entusiasmado quando vi a funcionalidade de “route planning”. Pensava que isso podia eliminar a última necessidade de papel e caneta, a de escrevinhar o alinhamento de caches a visitar num dia. Mas afinal não. Há uma coisa que deita isso a perder: é que chegado a um dos pontos da lista, o GPS passa automaticamente para o próximo, o que para o Geocacher não interessa para nada, porque uma coisa é chegar à área e outra é encontrar a caixinha.
  • A função de captura de écrã dá jeito, mas porque diabo é que os ficheiros são .bmp em vez do comum, mais do que standard .jpg?

Em Suma

Não há muito mais a acrescentar a tudo o que foi escrito. Sinto que preciso de mais rodagem para formar uma opinião sólida sobre a unidade, mas para já estou satisfeito. Talvez porque os aspectos negativos estavam já previstos e fui encontrar várias surpresas agradáveis. Diz-se que uma das vantagens dos Dakota é serem fruto de um processo de apuramento da mais antiga linha Oregon. E é bem capaz de ser verdade. Na realidade, não há muitas diferenças entre uns e outros, exlcuindo o 550, topo dos Oregon, também ele lançado recentemente e usufruindo deste processo de corecções. O meu GPS veio dos EUA. Custou cerca de 250 Eur. Há quem diga que está caro para o que oferece. Eu não concordo. Mesmo assim, se fosse hoje, provavelmente teria ido para o Dakota 10. A bússula de três eixos revelou-se uma decepção, e o espaço de memória interna parece ser suficiente para uma utilização regular.

Alguma dúvida adicional, deixem “Comment”.

Read Full Post »