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Archive for the ‘Reflexões’ Category

ec-02

Quando entro na minha área de “field notes” reparo sempre nestas quatro entradas. Referem-se a Earthcaches que marquei como encontradas. A mais antiga, para os lados das minas do Lousal, foi visitada há pouco mais de um ano. Depois, há uma na Alemanha, em Leipzig, e as duas mais recentes foram encontradas em Istanbul em Outubro. E porquê que se mantêm por lá? Começo pela resposta curta: porque não tenho paciência para lhes escrever os respectivos logs de found. E agora, passemos à explicação detalhada.

Umas palavras preliminares. Nunca fui grande fã de Earthcaches, segundo parece, ao contrário da esmagadora maioria dos colegas geocachers. Mas eu posso explicar em duas linhas esta minha relação com este tipo de caches:

  1. Earthcaches são caches virtuais que abordam temas de geologia. Espera… mas as caches virtuais não foram excluidas do Geocaching? Foram, mas não as que se relacionem com geologia. A mim isto tresanda a discriminação. Discriminação de todos os que se dedicam e se interessam por outras áreas do saber. Se existem caches virtuais sobre geologia num geocaching onde caches virtuais foram excluidas, porque é que não se abrem excepções para caches virtuais dedicadas a História, Botânica, Zoologia e por ai em diante? Este regime de excepção desagrada-me.
  2. A grande maioria das Earthcaches apresentam-se numa linguagem técnica que tem o condão de me fazer de imediato desinteressar do que quer que pretendam ensinar. Os textos parecem saídos de manuais universitários ou livros técnicos, desadequados para leigos. Como consequência, a abordagem a estas caches passou a fazer-se como uma “obrigação”, um xarope amargo para ter direito a registar um “find”.

Dito isto, já me dediquei a encontrar Earthcaches. Umas quantas, no passado. Mas isso foram tempos que já não voltam. Eram dias em que se olhava para um mapa e em vez de uma cache debaixo de cada pedra, se viam 20 ou 30 por distrito. Depois mais, mas não em número que esmagasse. Quando era assim, a existência de uma Earthcache a 15 km era uma oportunidade de encontrar um local que prometia ser interessante e ter o prazer de escrever mais um log. Resolver as questões apresentadas, mesmo que não fosse a tarefa mais agradável da jornada, fazia-se com calma, e a coisa ia andando.

Subitamente estamos em 2013. Em querendo, encontram-se caches aos milhares por mês. Mais uma, menos uma, o que é isso… perdeu-se a noção das que existem na nossa região, não se conseguem guardar na memória todas as que se nos cruzam ao caminho. Neste contexto, o que é que exactamente me motivará a ultrapassar a lista de requisitos para logar uma Earthcache? Sim, uma Earthcache detém mesmo assim potencial para me revelar algo, para me mostrar um aspecto interessante do mundo. Mas, uma vez visitado o local, observado o fenómeno, simplesmente não encontro motivação para, chegando a casa, ir remexer apontamentos, passar fotografias, recolher os dados pedidos – por vezes mais do que o razoável dadas as circunstâncias – procurar o e-mail do owner, escrever-lhe uma mensagem, aguardar pela resposta… para quê?

A única razão que consigo vislumbrar será o reconhecimento pelo trabalho do owner. E aqui faço um mea culpa. É verdade. Mas não dá. Essas quatro caches na minha lista de Field Notes ali está para dar forma às minhas razões. Da primeira, duvido que mesmo em querendo alguma vez encontre os elementos pedidos no meio dos meus apontamentos de viagem. Quanto às outras, ainda os terei, mas mais depressa consigo escrever um artigo assim do que trato de tudo para que fiquem devidamente logadas. Por três smileys num mapa? Não vale a pena. Peço desculpa aos owners.

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caches

Lembro-me de colocar a minha primeira cache como se fosse hoje. Foi a Cerro de São Miguel, lá para 2005. Depois foi preciso outro ano para que nascesse a seguinte, entretanto arquivada na sequência de uma acção muito infeliz da Câmara Municipal de Loulé. A partir daí foi sempre a abrir e dei por mim com mais de 25 caches activas.

Mas então perdi a motivação para continuar. Algumas dessas deixaram de existir, arquivadas pelos mais diversos motivos, e nenhuma as veio repôr na lista de caches criadas.

 Mas o que sucedeu? Bem, nada em concreto. Nunca se passou nada de determinante, não aconteceu algo em determinado momento. Foi o evoluir de uma série de elementos, que hoje tento ordenar, até para minha própria compreensão.

 Vejamos, mais ou menos por ordem de importância decrescente:

 1) A multiplicação de caches colocadas por outros jogadores, de forma mais ou menos pertinente, criou-me a sensação de que as minhas seriam perfeitamente dispensáveis perante o vigor das novas gerações, que de resto depressa cobriram todos os locais em que vagamente imaginasse ter interesse colocar uma cache.

2) O aumento de jogadores, especialmente no período de Verão (não esquecer que a minha área de acção é o Algarve) trouxe uma carga e uma pressão às minhas caches para a qual não estava nem preparado nem disposto a corresponder: a manutenção necessária para uma cache que tem 10 visitas por ano é naturalmente diferente se este número crescer para 200. E foi isso que aconteceu. De repente tinha caches a desaparecer, caches a precisar de logbooks, de material de escrita, de caixas. Tempo e dinheiro numa escala não prevista. E em vez de um log para ler de vez em quando, para ler com um sorriso, passei a ter centenas deles para rever por obrigação.

3) A transferência gradual de direitos, por parte da entidade organizadora, dos owners para os achadores, criando situações desconfortáveis, e objectivamente aberrantes. Um exemplo apenas: a língua dos logs. Para a Groundspeak, um log pode ser escrito em qualquer língua. Mas segundo os termos aceites por todos os geocachers o owner tem a responsabilidade de garantir que não existem logs com determinados conteúdos (insultuosos, racistas, etc) nas suas listings. E como o fazer se o log for escrito em sânscrito? Segundo a Groundspeak, fazendo a tradução. Por exemplo, com um Google Translate. Não é o viajante, mas sim o owner, que já teve o trabalho de criar a cache, e, por arrastamento, qualquer outro jogador interessado em ler tal log, que deve ter trabalho a fazer essa tradução. E isso é basicamente inaceitável, significa que muitos terão o ónus que poderia e deveria caber apenas a um.

4) A crescente falta de respeito de uma parte excessiva de jogadores pelas caches de outrém, manifestada, por exemplo, por: containers mudados de sitio sem razão aparente; caches deixadas ao acaso depois de descobertas, com tampas mal fechadas e/ou a descoberto; logs minimalistas ou com críticas surreais; assinaturas a ocupar páginas inteiras de logbooks.

5) A consciência de que, em abstracto e por uma série de razões cuja abordagem não tem cabimento neste breve artigo, existem demasiadas caches em Portugal, e a indisponibilidade para contribuir para o agravamento dessa situação.

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Às vezes vejo coisas que estão menos bem, e penso que o que acabou de me passar pelos olhos foi uma excepção, mas aquela excepção segue-se outra, e depois outra. E quando olho de novo, a regra foi alterada, e o costume deixou de o ser. Pode ser uma alteração para melhor, mas no Geocaching raramente o é. E se há destas situações, de regras transmitidas de boca em boca, que tanta razão de ser tinham e vai-se a ver e deixaram de existir. Perderam-se, quase sempre naquele pedaço de tempo, quando alguém chega a um sítio novo e aprender a fazer o que vê. E se vê mal, faz mal. Cinco exemplos:

  1. Leve material de escrita. Antes, havia esta regra, ensinada desde logo aos que se iniciavam: ” – Para criares uma cache, arranjas um container, pões lá dentro um livrinho de registos, uma stashnote, algumas prendinhas para trocar e algo para que os visitantes escrevam o log.
    Pergunta do iniciado: “- Então, mas e quiser colocar a cache num sítio onde há muita gente e onde não há espaço para colocar uma caixa onde caiba isso tudo?
    Resposta: “- Em vez de um um livrinho de registos, pões uma série de tiras de papel enroladas, e arranjas um stashnote com letras pequeninas e colocas no mesmo formato. Os brindes esquece. Arranjas um lápis e corta-lo à medida.
    Questão seguinte: “- E se o que eu quiser mesmo é criar uma daquelas muito engraçadas, muito pequeninas, que mal se conseguem ver e que parece que se chamam nano-caches?
    Resposta: “- Então pões mesmo só um papelinho muito bem enrolado para que as pessoas coloquem o seu nome e data de visita“.
    O que se seguiu, já se sabe. A febre das quantidades espalhou-se como um vírus, e de repente já não era suficiente criar uma cache com amor de mãe, estrategicamente posicionada num local pleno de interesse, no ângulo mais adequado para que o achador a manuseie. Não, geocacher que se preze passou a criá-las à centenas, e, já se vê, isso de arranjar stashnotes e prendinhas e logbooks e caixas e lápis cortados à medida, tudo à centena, são coisas que dão demasiado trabalho e custam dinheiro. Então, o tal geocacher corta em tudo o que não é exigido à luz das guidelines. Resta o logbook. Uma micro com um papelinho enroladito lá dentro. É nisso que consiste a grande maioria das caches urbanas. Vim de três dias a cachar em Lisboa. Encontrei cerca de 60 caches. Todas, e repito, TODAS, assim. Quando e porquê a regra não-escrita que existia para nano-caches se alargou a micro-caches e mesmo a tamanhos maiorzinhos?
  2. Coordenadas à Toa. Num jogo em que uma das poucas regras básicas é que se vai usar um GPS para encontrar algo nas coordenadas fornecidas, seria de esperar que existisse algo para encontrar nas coordenadas fornecidas. Mas muitas vezes não é assim. Não estou a falar de caches desaparecidas ou das que nem foram colocadas a tempo e horas. Estou a pensar é naquelas que estão afastadas das coordenadas que o owner indicou. Pessoalmente, o maior desvio que encontrei foi de cerca de 200 metros. Mas há histórias de casos ainda mais radicais. Vamos lá ver… toda a gente se pode enganar a tirar coordenadas, não é isso que está em causa. A questão é que existia o bom hábito de, quando se ia encontrar a cache significativamente distante do ponto indicado, providenciar as coordenadas correctas no log de Found It. Com toda a naturalidade. Não é um spoiler nem uma falta de respeito a ninguém. Muito pelo contrário, é um sinal de respeito e um acto de interajuda. Está-se a evitar que o colega seguinte ande para ali às aranhas sem necessidade nenhuma. E, eventualmente, está-se a fornecer os dados correctos para que o owner acerte as coordenadas indicadas. Mas não. O bom hábito de fornecer os dados correctos foi substituido pelo absurdo de logs assim: “Fui encontrar o contentor a 25 m de distância, depois de procurar durante quase uma hora”. Ué!? E cadê as coordenadas? Alguma razão válida para não serem partilhadas? Já me disseram que era para não ofender os owners. Fiquei a coçar a cabeça, sem conseguir distrinçar onde estaria a ofensa.
  3. Dois Dedos de Conversa. Lembro-me da primeira vez em que encontrei um outro geocacher em acção. Aquilo foi uma festa. Nem sabia que era possível. Depois desse dia tive outros encontros, e sempre batia dois dedos de conversa, falava-se sobre o jogo, por onde é que se tinha andado, para onde se ia, e às vezes partia-se mesmo dali para uma cachada conjunta. Depois, estive uns anos ausente, passei pouco tempo em Portugal, e quando estava andava por áreas com menos jogadores. Durante muito tempo não encontrei ninguém. E quando voltou a acontecer fiquei chocado. O outro tipo parecia que em mim reconhecia apenas a existência de outro animal de duas pernas. A partir daí a história repetiu-se, com variantes. Desde gente que aparentemente fazia questão em não deixar sair uma palavra que fosse, até aos que fugiam como se tivessem visto o demónio. Na melhor da hipóteses um “boa tarde” e dá cá o container que tens na mão para eu logar também. E pouco mais do que isto. Perdeu-se o hábito de se gastar 10 ou 15 minutos à conversa quando se encontra um companheiro de hobby. Talvez seja da pressa para partir para a próxima cache, ali ao virar da esquina…
  4. Não vamos colocar a cache em risco, boa? Ainda há aqueles que têm um respeito cauteloso aos muggles, mas o vento está a mudar. Cada vez mais ouço relatos e testemunho pessoalmente variantes desta infeliz situação: um grupo de pessoas aproxima-se do local de uma cache, um deles de GPS em punho, espalhando-se a pequena multidão em leque, grande alvoroço, com crianças que berram: “Aqui não está!”… “Vejam lá se está aqui”. E, enquanto se encavalitam em bancos e trepam a pilares, chamam a atenção de cada muggle num raio de centenas de metros, até ao grande apogeu: “ENCONTREI! TÁ AQUI!”. E a campeã sai de um canto com a cache na mão, mostrando-a a todos os outros (e, claro, a quem quer que não tenha ficado indiferente à algazarra), que começam a rodeá-la. Isto, é meio caminho para que uma cache seja destruída por alguém mais desconfiado, mais malicioso ou com mais medo do desconhecido. Sem necessidade. Apenas porque se está a perder o hábito da discrição na procura.

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E vão 9

Há coisas do caneco. Estava aqui a rever umas coisas no blog, a dar uns toques na formatação dos textos, e abro um artigo de há três anos, dedicado ao meu aniversário enquanto Geocacher. E pensei para com estes botões… “Deixa cá ver em que dia é este aniversário, pode ser que me dê os parabéns a mim próprio outra vez quando for a ocasião…”

E começo a ler e é isto que encontro: “Seis. Seis anos. Faz hoje precisamente seis anos que me registei no Geocaching.com e pouco depois caia a primeira cache. Foi precisamente a 31 de Julho que encontrei a 16 (silly name, isn’t it?) [Loulé].”

Espera! 31 de Julho! Mas 31 de Julho é hoje. Que coincidência incrível! Ironicamente não me ocorre nada para dizer. Sinto-me como o aniversariante que se levanta de copo na mão, enquanto a multidão entoa a cantilena… “discurso!… discurso!… discurso!…”. E depois, não sai nada. Bem, uma coisa é certa, se hesitava em ir até Faro à Geomariscada, fica já decidido. É a pequena excentricidade do dia.

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Talvez começar pelo príncipio: quando a Groundspeak implementou o sistema de “Favorites”,  já eu tinha há muitos anos uma lista chamada “Caches Favoritas”. Esse rol era aliás uma evolução de uma ainda mais antiga lista que denominei “Top 10 Caches”. Como o seu nome indica, pretendia ai reunir as dez caches que mais me tinham agradado. Mas a verdade é que passado algum tempo as dez já iam em vinte e tal e, sem conseguir decidir-me pela eliminação de uma mão cheia delas, mudei o nome da lista, tornando-o mais liberal, e segui em frente.

Ora foi portanto com naturalidade que encarei a instauração dos “Favorites” como uma  terceira geração desta minha lista. Só que, já se vê, mesmo sem a rigidez das dez primordiais, esta minha lista tinha mesmo assim critérios muito exigentes. Muito mais do que a Groundspeak burilou com o seu ratio de um favorite para atribuir por cada dez achamentos. Credo! Por cada 10? Nem pensar que me disponho a distinguir uma cache em cada dez que encontro. O meu ratio real será talvez de 1 em cada 100. Ora deixem-me lá ver… tenho 5.640 founds e 101 “favorites” atríbuidos. Já é uma bela liberalização do meu critério inicial, mas mesmo assim completamente à margem dos padrões correntes.

Depois, não sou grande entusiasta do próprio conceito. A Groundspeak passou anos a negar a implementação de um sistema de classificação de caches, e acabou por o fazer. Só que, como em tantos outros contextos, vingou a corrente ditadura do pensar positivo. Passo a explicar: nesta era Facebook, onde “Like” se tornou parte da linguagem corrente, não existe uma contrapartida, um “dislike”. Está-se a tornar socialmente proibido não gostar ou discordar. E isso é uma ditadura, porque como em qualquer ditadura existem duas vias legais:  apoiar ou ficar silencioso.  Ora o sistema de “favorites” é precisamente isso. É-nos permitido gostar de caches e manifestar esse gosto. Não nos é permitido expressar opinião oposta. À boa moda salazarista, ou se vota a favor, ou não se vota. É esta a liberdade que se tem na hora de abordar a avaliação de uma cache que acabámos de encontrar.

Por fim, já ando um bocado enjoado dos resultados prácticos da “favoritizações”. Para uma cache se distinguir, das duas uma: ou é tudo acerca do contentor, esquecendo que este não deveria ser nunca um fim em si, ou é sobre uma cache que colocam em risco o pescoço de quem a pretende alcançar. E disto não varia muito. Ora como eu não sou dado nem a uma coisa nem a outra, resta pouco para mim como beneficiante da informação que decorre da atribuição de “favorites”.

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Isto há coisas…

Pois é. Há coisas que deixam um tipo de boca aberta. Decorria o mês de Setembro de 2011 quando recebi uma notícia chocante: a Câmara Municipal de Loulé tinha contactado a Groundspeak exigindo a remoção da minha cache Fonte Benémola [Loulé]. Razões? Que ela se encontrava numa zona protegida. Ora para quem nunca visitou o local, a cache estava colocada junto a um estradão, 100 ou 200 metros depois de uma zona de piquenique criada pela autarquia, e que costuma ser invadida por uma horda de visitantes, que deixam lixo espalhado por todo o lado, o que até se compreende: de cada vez que lá fui encontrei os contentores adequados para o efeito completamente cheios.

Parece que na ocasião quem de direito tentou sensibilizar os responsáveis da Câmara. Obviamente que a existência da cache no local não perturbava em nada a natureza do local classificado. Mas foi escusado, e a cache acabou mesmo por ser arquivada.

Agora, deparo-me com a notícia de que a autarquia se prepara para uma acção de promoção do Geocaching nas ruas da cidade.

“Geocaching é uma das muitas atividades previstas pela Câmara Municipal de Loulé para celebrar, no dia 18 de abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2012, este ano subordinado ao tema «Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança».

Trata-se de um desporto de ar livre que envolve a utilização de um recetor de GPS para encontrar caches escondidas. As caches são pequenas caixas com livros de registo, onde o participante deixa registada a sua passagem.

Para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Câmara Municipal de Loulé colocou uma cache escondida que proporcionará ao participante um roteiro pelo património classificado da cidade.

Esta atividade preconiza o respeito pelo meio ambiente e pelo património, tal como deverá ser o espírito dos geocachers. Para participar, é necessário GPS e calçado adequado.”

In Região Sul

Portanto, apesar de ser uma “atividade preconiza o respeito pelo meio ambiente “, a CML achou imperioso que se fizessem desaparecer as duas caches existentes na zona da Fonte Benémola, e parte agora para a sua acção de promoção. Claro que a cidade de Loulé não é uma zona classificada, mas assusta-me um bocado ver uma instituição que revelou tamanha capacidade de bom senso para com o jogo agora surgir como um paladino da promoção do Geocaching. Fica a curiosidade sobre a tal cache que foi criada para o evento.

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Pode parecer mal a um Papacaches escrever sobre Waymarking, uma práctica que toca uma zona cinzenta para um geocacher purista. Afinal de contas, os fundamentalistas clamam que é necessário um objecto físico para ser encontrado, um logbook para rubricar, e o Waymarking cai na margem da heresia: não há nada para além de um ponto a alcançar. Bem, até há… mas isso é outra conversa.  Mas vamos lá… comecemos pelos momentos ternos, pelo amor…

O Waymarking tinha tudo para ser um enorme sucesso. Foi apresentado pela Groundspeak como um novo reino onde as antigas caches virtuais, banidas sem efeitos retroactivos das terras do Geocaching, se podiam reagrupar e renascer de forma perfeita. Falava-se, nada mais nada menos, do mundo no GPS. Uma directoria cósmica, umas “páginas amarelas” de pontos de interesse à escala planetária. Não soa tão bem, até agora? A mim sim. Quando vi o Waymarking.com pela primeira vez fiquei pasmado com o que me era prometido. Pois se um tipo era maluquinho pela aeronáutica e ia viajar, digamos, a Praga, só tinha que dar uma vista de olhos e verificar que categorias tocavam esta sua área de interesse. Depois, era fazer o download dos pontos catalogados na zona de Praga, e uma vez na cidade, seguir a setinha do GPS, não para procurar uma cache que poderia ou não ser interessante, mas para atingir o Museu da Força Aérea ou observar o velho Dakota que se encontra nas imediações do terminal aeroportuário.

Mas as maravilhas do Waymarking não se esgotavam na oferta da informação a viajantes e locais. Esta, a informação, não surgia por geração expontânea, era necessário que os próprios participantes recolhessem dados e imagens para a abertura de mais e mais pontos de interesse. E, digo-vos, existe um prazer por descobrir à espera de quem nunca experimentou criar um Waymark. Arranjar os vários blocos de texto, adicionar imagens, prever a ficha tal como a comunidade a verá e enviar o “pacote” para aprovação é um momento agradável, culminado pelo e-mail mágico: “a sua Waymark foi aprovada”. São tão lindinhas, tão bem arranjadas. Dão vontade de continuar a criá-las pela noite dentro, até cair para o lado. E além disso, o viajante encontra no Waymarking uma forma de partilhar as maravilhas a que assistiu no decorrer das suas expedições, algo que é muito mais complicado com o Geocaching, no qual se pressepõe uma disponibilidade de regressar aos locais para prestação de manutenção às suas criações.

E isto leva a um outro ponto: o magnífico interface que foi construído para esse outro website da Groundspeak. Pessoalmente, estou convicto que a coisa foi concebida por terceiros, em regime de “outosourcing”. Não reconheço no waymarking.com um estilo da equipa da Groundspeak, que não costuma ter aquela competência gráfica e funcional. Posso até estar enganado neste aspecto, mas muito me surpreenderia. Mas o que importa é que com um website tão apelativo e com tantas possibilidades, é fácil deixarmo-nos atrair para o “jogo”.

E ficam assim explanados os factores que me levam a regressar, periodicamente, ao Waymarking, ficando algum tempo, até que os aspectos negativos acabam invariavelmente por me afastar por mais uma temporada mais ou menos alargada. E que razões são essas, que me atiram para fora desses balões mágicos, desses períodos de graça? Talvez sejam as mesmas que impediram o Waymarking de se tornar num êxito, empurrando-o para um limbo de abandono, onde apenas os mais entusiastas resistem de forma continuada, e onde nem a Groundspeak parece arranjar energias para mexer com ele.

O factor mais elementar parece-me ser o caos em que se geraram as categorias. Numa antevisão do que Jeremy irish tinha guardado para nós nas Challenges, o poder foi entregue ao povo, e as categorias de Waymarks foram sendo criadas por votação popular. Ora considerando o peso que os EUA têm nestas actividades, não demorou muito a surgirem categorias perfeitamente rídiculas para os povos de todo o mundo, para além dos Norte-Americanos (por exemplo, o que dizer de uma “Blue Star Memorial Highway Markers”?); talvez pior que isso, tendo a mesma origem, foi o bloqueio a que categorias naturais para um Europeu ou um Sul-Americanos foram barradas pelos Norte-Americanos (por exemplo: Cafés Clássicos). Ora isto tem contornos ainda mais retorcidos, se considerarmos que um dos três factores sob os quais o voto deve ser ponderado é precisamente a universalidade da categoria sugerida. Ficará por explicar, à luz desse factor, como é que foram surgindo, por exemplo, coisas como “Ronald McDonald Houses”. Ou seja, de repente, muitas das categorias que se pretendiam universais, ou seja, cuja criação de Waymarks poderia suceder em qualquer ponto do Globo, eram de coisas que apenas aos EUA diziam respeito. E estou em crer que esta prepotência afastou desde logo os europeus.

Depois, há a relação de dependência para com os administradores das categorias, que origina frustrações constantes: por vezes passam-se semanas até um Waymark ser aprovado; outras vezes, é declinado de forma extemporânea, sem razão efectiva; nos piores casos, houve categorias que foram deixadas virtualmente ao abandono pelos seus administradores.

Outro dos pontos fracos do Waymarking incide sobre certas vulnerabilidades funcionais do interface do website. É pouco compreensível que não existam os equivalentes aos “pocket query” do Geocaching, mas a verdade é que se um jogador viajar até uma cidade, não poderá fazer o download de todos os Waymarks lá existentes, nem mesmo dos Waymarks de uma categoria específica. Estranhamente, terá que fazer o download de cada página apresentada na listagem.

Portanto, caros amigos, é entre estas duas forças, uma positiva e outra negativa, que a minha relação com o Waymarking se tem dividido ao longo de todos estes anos. Há alturas em que me dá uma vontade enorme de criar Waymarks, de assinalar a visita a locais já catalogados… depois, um dia, colido de forma mais violenta com as indecências do sistema e afasto-me a coxear, revoltado com as vulnerabilidades de um sistema que podia ser perfeito mas não é. E esta semana, depois de uma mão cheia de meses de afastamento, inspirado pelo espectro que pairou pelo Geocaching com a chegada da praga das Chalenges, entrei numa nova fase de encantamento. Até quando durará, não faço ideia.

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